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Vectorman – Entrevista com Richard Karpp 28 28America/Bahia janeiro 28America/Bahia 2018

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Richard Karpp

A BlueSky Software lançou vários exclusivos importantes para o Mega Drive, jogos como Starflight, Joe Montana, Jurassic Park e, mais importante, Vectorman. Essa é uma entrevista com o designer e programador da BlueSky, Richard Karpp.

A BlueSky fez alguns dos jogos mais polidos do Mega Drive, incluindo o fenomenal World Series Baseball, e foi bem prolífica durante a era 16-bits. Como era o ambiente na companhia nessa época?

Definitivamente houve um período em que acertávamos sempre. Depois das nossas tentativas iniciais de jogos para MD (fui programador chefe em Starflight e então em um jogo chamado Technoclash para a EA e Keith Freiheit era o programador-chefe em Jurassic Park), desenvolvemos uma engine que nos deu performance decente para sprites e muita flexibilidade com efeitos especiais. Essa engine nos permitiu produzir jogos mais rapidamente, então pudemos fazer muito mais experimentação.

Enquanto trabalhávamos nesses jogos, a atmosfera na companhia era muito excitante. Todos se juntavam e tentavam atingir a maior qualidade possível. Nem sempre conseguíamos, mas sabíamos que estávamos fazendo nosso melhor e era bem recompensador.

Me impressiona agora que fizemos tantos jogos para uma plataforma. Naqueles tempos, já que um jogo levava de dezoito meses a dois anos para produzir, só tínhamos a chance de trabalhar em dois ou três jogos em cada plataforma. Naquela época, trabalhei de alguma forma em pelo menos sete jogos de Mega Drive.

Vectorman é um favorito entre os fãs de MD. Como exatamente surgiu o conceito?

Tínhamos acabado de terminar Technoclash e estávamos nos perguntando o que fazer a seguir. Havia uma técnica usada em muitos jogos em que sprites individuais eram colocados juntos para formarem um personagem – era amplamente utilizada para coisas como dragões e chefes cobras. Alguns de nós tivemos a ideia de usar essa técnica no personagem principal e todos os personagens no jogo, se possível.

Uma vez que decidimos usar peças para construir personagens, um programador chamado Karl Robillard procurou usar sprites de esfera de vários tamanhos para criar um efeito 3D. Era muito legal, então planejamos usar apenas as esferas para construir nossos personagens, e usar 3D um pouco no gameplay. Até implementamos isso, mas não funcionou muito bem. Era visualmente bom, mas não conseguimos atingir 60 frames por segundo, então a jogabilidade não era boa.

Interview-Richard-Karpp-2Ao invés de usar apenas esferas, o Karl desenvolveu uma ferramenta que usava sprites arbitrários para construir o personagem, junto com um sistema de animação interpolada. Pudemos atingir 60 frames por segundo com isso, mas só tínhamos que guardar quadros-chave, então o uso de memória era razoável. Com isso funcionando, soubemos que era a maneira certa.

O conceito de design de jogo veio quando Mark Lorenzen, Jason Weesner e eu saímos por uns dias do escritório para pensarmos juntos. Eventualmente viemos com a ideia de robôs futurísticos, coletamento de lixo, etc. Era uma história meio bizarra, mas estávamos realmente procurando por algo para justificar a jogabilidade em que pensamos: um platformer rápido com múltiplas armas que focava em resposta imediata aos controles e animações fluidas. Então levamos à diretora criativa da BlueSky, Dana Christianson, e o jogo continuou daí.

Mais tarde no ciclo de desenvolvimento, estávamos tendo problemas em decidir que visual o Vectorman teria. Tínhamos construído muito do jogo, mas o personagem ainda não tinha surgido. Então pedimos ao Rick Schmitz que fizesse algumas artes conceituais e eventualmente escolhemos uma. Era basicamente a última peça do quebra-cabeças.

Os efeitos gráficos de VectorMan eram maravilhosos. Que truques especiais foram usados, se algum, para criá-los?

Como mencionei antes, o principal tema gráfico de Vectorman foi o sistema de animação por “peça de vetor” que nos permitiu mostrar movimento extremamente fluido construindo personagens de peças individuais.

Uma grande porcentagem das fases foram pensadas em volta de um “gancho tecnológico”, que era geralmente só alguma ideia louca que pensamos que podíamos fazer. Tipicamente envolvia usos criativos dos fundos movíveis do MD (backgrounds) – era possível especificar um alinhamento diferente para cada linha horizontal, por exemplo, ao qual podíamos dar um efeito parallax. Fizemos isso verticalmente em algumas fases, também, apesar da rolagem vertical ser limitada a trechos de 8 pixels. Usamos isso para as cataratas, por exemplo, e as esteiras transportadoras.

Os chefes foram todos feitos pensando no “gancho tecnológico” também. O primeiro chefe que você encontra no jogo, que parece um avião de combate, na verdade foi implementado na segunda camada, e usamos rolagem de linhas para fazer parecer que estava rotacionando.

Um dos efeitos mais sutis foi feito usando o modo de contraste (shadow/highlight) do Mega Drive, que permitia aos artistas usarem mais cores na tela do que os jogos tipicamente usavam. Apesar desse efeito restringir os artistas de algumas maneiras, acho que adicionou uma camada de polimento ao jogo.

A grande razão para a qualidade geral dos efeitos gráficos é o trabalho pesado que os artistas fizeram: Amber Long e o time dela de artistas de fundo fizeram um trabalho maravilhoso, assim como o Marty Davis e seus animadores.

Você não estava envolvido no desenvolvimento de VectorMan 2? Por que não?

Fiquei atarefado com outros projetos, então Keith Freiheit entrou como programador chefe em Vectorman 2. Trabalhei com Keith por muito tempo (na verdade, estou trabalhando com ele no momento), então confiei nele para fazer jus à reputação da série.

O que você acha do VectorMan que estava sendo feito para Playstation 2? Parecia fazer justiça ao original?

Interview-Richard-Karpp-3Só vi o Vectorman de PS2 rapidamente uma vez na E3, então não posso comentar sobre sua qualidade. Parecia estar indo em uma direção mais sombria e realista, o que não tem tanto apelo comigo. Acho que a excentricidade dos jogos originais é parte do charme deles. Entretanto, fico desapontado que o desenvolvimento tenha sido cancelado. Mesmo se não seguisse os passos do original, parecia ser um bom jogo que teria sido divertido de jogar.

Muitos jogos baseados em licença de filme acabam sendo bem ruins, mas Jurassic Park era divertido e manteve a sensação do filme. Como foi transformar um blockbuster em jogo? Você alguma vez se sentiu pressionado pelo sucesso impressionante do filme?

Tive um papel pequeno no desenvolvimento de Jurassic Park, mas me lembro que havia muita pressão para o jogo sair a tempo para o lançamento do filme. Eu também estava trabalhando em Technoclash na época, então tive que colocar muitas horas para ter certeza de que pudesse gerenciar minhas tarefas em ambos os jogos.

Minhas lembranças do projeto Jurassic Park se revolvem e torno de tentar fazer o jogo ficar pronto extremamente rápido. Sabíamos que havia muita coisa dependendo do jogo, por que teria uma campanha grande de marketing, e esperávamos que o filme fosse enorme, então olhamos para isso como uma grande oportunidade de colocar a BlueSky no mapa. Acho que fiz o trabalho, por que parece ser o jogo que a maioria das pessoas ainda lembra.

Starflight, do Greg Johnson, recebeu um port excelente no Mega Drive. Houve algum sacrifício feito durante o processo devido ao hardware?

Starflight era um ótimo jogo original, e tentamos nosso melhor para tudo caber em um cartucho de Mega Drive. Acredito que fomos capazes de colocar tudo no jogo por que o mapa das estrelas e geografia dos planetas eram gerados proceduralmente. A parte mais difícil foi colocar o texto alienígena, mas não me lembro de termos removido nada.

Starflight foi um projeto divertido por que estávamos ficando familiares com o hardware do Mega Drive, e foi legal conseguir portar um jogo existente. Não precisamos nos preocupar muito com problemas de design de jogo, já que estes já tinham sido trabalhados, então pudemos nos concentrar em aprender o máximo possível sobre o Mega Drive.

O jogo Technoclash era uma experiência bastante única. Houve planos para uma continuação?

Fico surpreso que alguém se lembra de Technoclash – pareceu sumir assim que foi lançado, apesar de ser um conceito legal e um jogo decente. Não me lembro de nenhuma discussão sobre uma continuação.

O jogo foi criado pelo Novak da Zono Inc. e trazido para a BlueSky desenvolver. Novak programou a IA do jogo, e eu programei todo o resto. Gostei do desenvolvimento de Technoclash bastante, por que Novak é um cara muito criativo, e trabalhar no jogo me deu inúmeras ideias que usamos para puxar os limites do Mega Drive mais tarde.

Você já sentiu desejo de revisitar alguns dos seus jogos prévios em uma plataforma moderna? Se sim, quais?

Adoraria ressuscitar VectorMan para uma plataforma da nova geração, mas não parece haver muito interesse em fazer isso. VectorMan é o jogo de que tenho mais orgulho, principalmente por que tem minha mão em muitos aspectos do desenvolvimento, para o bem ou para o mal.

Entretanto, não quero ficar preso ao passado. O Mega Drive era ótimo e a BlueSky Software era um lugar fantástico para trabalhar, mas a indústria seguiu em frente e trabalhar em jogos é tão excitante hoje em dia como era lá atrás.

Fonte: Sega-16

 

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Jogos Traduzidos Para PTBR 5 05America/Bahia janeiro 05America/Bahia 2018

Posted by bluepasj in LISTAS.
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Muitos talvez não saibam, mas vários jogos do Mega já foram traduzidos para português brasileiro por fãs do console e dos respectivos jogos. Essas traduções geralmente são encontradas no P.O.B.R.E. – Portal Brasileiro e Romhacking e Emulação. Mas caso você queira saber que jogos são esses, aqui vai uma pequena lista atualizada, em ordem alfabética e sem as repetições e várias páginas de lá. E, também, em minha experiência, nem todas as traduções podem ser encontradas no POBRE.

Aladdin
Alien 3
Ayrton Senna’s Super Monaco GP II
Battletoads
Beyond Oasis*
California Games
Castle of Illusion
Chuck Rock
Comix Zone
Contra Hard Corps*
Crusader of Centy*
Donald Duck in Maui Mallard
Ecco the Dolphin*
El Viento
Fifa International Soccer
Flashback: The Quest for Identity*
Golden Axe
Golden Axe III
Landstalker: The Treasures of King Nole*
Light Crusader*
Megaman The Willy Wars
Monster World IV*
Mortal Kombat
Mystic Defender
Pac-Mania
Paperboy
Phantasy Star II*
Phantasy Star III: Generations of Doom*
Pirates of Dark Water
Pocahontas
Phantasy Star IV: The End of the Millenium*
Pulseman
Quackshot
Revenge of Shinobi
Ristar
Road Rash
Robocop vs. Terminator (Robocop vs. Exterminador do Futuro)
Scooby-Doo Mystery*
Shining in the Darkness*
Shining Force*
Shining Force II*
Shinobi III: Return of the Ninja Master
Sonic the Hedgehog
Sonic 3D Blast
Spiderman and Venom: Maximum Carnage
Spiderman vs. the Kingpin (Homem Aranha vs. o Rei do Crime)
Splatterhouse 3
Streets of Rage
Streets of Rage 2
Streets of Rage 3
Strider
Super Street Fighter II: The New Challengers
Taz-Mania
The Flintstones
The Immortal*
The Punisher (O Justiceiro)
The Terminator (O Exterminador do Futuro)
Toejam & Earl
Vectorman
Vectorman 2
Wonder Boy in Monster World*
X-Men 2 Clone Wars
Yuyu Hakusho Makyo Toitsusen

*Jogos com asterisco são os que mais
se beneficiam de ter uma tradução.

Estou ciente de que a maioria dos jogos da era 16-bits não necessita de tradução, com exceção dos RPGs. Meu plano era fazer um vídeo, até eu perceber que um vídeo para traduções de jogos ficaria muito entediante e acho que uma simples lista faz mais sentido. ROMs patcheadas (já traduzidas, com patch aplicado) podem ser encontradas na seção de downloads do Drive Your Mega e, também, no site Emularoms.

Hacks de Jogos para Mega Drive 29 29America/Bahia dezembro 29America/Bahia 2017

Posted by bluepasj in LISTAS.
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Às vezes, alguns retrogamers com habilidades de programação decidem fazer mudanças em seus jogos favoritos. Aqui estão algumas tentativas de melhoria que decidi compartilhar. Sou um puritano, então só coloquei hacks com mudanças mínimas, até por que a postagem ficaria muito grande se não fosse assim. E, também, a lista completa pode ser vista no Romhacking.net. Sem mais delongas, vamos à lista!

Esse foi feito para balancear o jogo e torná-lo mais próximo à versão Arcade.

Um hack que faz com que os direcionais do controle movam o personagem na diagonal. Algumas pessoas preferem assim, outras preferem da maneira original do jogo.

A versão japonesa tinha uma barra de vida e portanto permitia que você levasse dano três vezes antes de perder uma vida. A versão americana não tem isso. Esse hack reinstaura a barra de vida perdida à versão ocidental do jogo.

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Tira a barra preta que ficava atrás da HUD do jogo.

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Aproxima o jogo da versão arcade através de ajustes na velocidade e rebalanceamentos.

Correções de glitches e bugs, reformatação do texto, e várias pequenas correções.

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Um pacote de pequenas correções para tornar o jogo mais agradável.

Pequenas correções

Retira trava de região e faz várias pequenas mudanças para tornar o jogo mais agradável.

Corrige bugs de Sonic 3 and Knuckles e restaura pequenas mudanças nas fases e em seus sons para que elas sejam como eram em Sonic 3. Através de um site é possível customizar seu Sonic 3.

Feito pelo fundador da Traveller’s Tales, adiciona super Sonic ao jogo, melhora paletas, corrige bugs, adiciona mapa de fases, reintegra um inimigo da versão beta, adiciona modo time trial e função password, melhora a câmera e adiciona editor de fases. E também foi adicionado na Steam WorkshopSteam Workshop – a oficina da Steam.

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Reimplementa coisas que foram censuradas (cortadas) na versão americana do jogo.

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Por conta de direitos autorais, a Sega teve que mudar a paleta dos inimigos Batman e Homem-Aranha. Esse hack reinstaura as cores originais.

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Hack sonoro que corrige as vozes roucas das versões de Mega do jogo de luta da Capcom.

Pequeno hack de cor que restaura as cores originais dos personagens, como vistas nos jogos anteriores da série e na versão japonesa deste jogo.

Hacks de cor: Art of Fighting; Captain America and the Avengers; Castlevania Bloodlines; Chiki Chiki Boys; Double Dragon; Devil Crash; Fatal Fury II; Ghostbusters; Golden Axe; Golden Axe II; Joe & Mac; Mega Swiv; Midnight Resistance; Mighty Morphin Power Rangers The Movie; OutRun; Pac Mania; Phantasy Star III; Darius II; Samurai Shodown; Street Fighter II; Streets of Rage 2; Sunset Riders; TMNT; The Lion King;

Hacks para Everdrive: Esses hacks são necessários para que os jogos rodem a partir dos Everdrive e salvem. Super Bubble Bobble MD; Legend of Wukong ; Megaman The Willy Wars; Turma da Mônica na Terra dos Monstros; Wonder Boy in Monster World.

Hacks PAL para NTSC: Hacks para jogos europeus PAL funcionarem bem em consoles NTSC americanos/japoneses. Battletoads and Double DragonZero Wing; Super Skidmarks; Alien Soldier; Tintin au Tibet; Spirou; The Smurfs.

Retraduções (em inglês): Beyond Oasis; Contra Hard Corps.

Outros hacks: Pode-se encontrar na net Donkey Kong 99, um hack para Mega Drive baseado no Donkey Kong Country do Super Nintendo; e também Rockman X3, baseado no Megaman X3 do SN; há também Mighy Morphin Power Rangers: The Fighting Edition, fã-porte do jogo homônimo de SN, que nunca teve versão oficial para MD; tem também o porte que o gasega68k está fazendo do Wolfenstein 3D para MD. O mesmo hacker também fez uma demo de mode-7 de Sonic kart e uma de F-Zero chamada G-Zero; e já que mencionei esses, tenho que citar também o Star Fox, um hack bem primitivo do jogo 3D que o chip Super FX 2 permitiu ao SN. Falando em bootlegs, jogos não-oficiais, destaco ainda o port para MD de Buster Bros., chamado Ghost Hunter e o Super Mario World 64, inspirado pelo Super Mario World; Super Mario Bros., do NES, também foi convertido, nomeado SMB4MD; por fim, tenho que mencionar Mortal Kombat II Unlimited Ultimate Mortal Kombat Trilogy, expansões de MKII e UMK3 respectivamente. O UMKT, especificamente, é tão grande que não funciona em emuladores comuns e precisa de um Everdrive especial para funcionar.

Obs.: Alguns hacks podem ser encontrados na página de downloads desse blog.

8 Virtudes dos 16-Bits 22 22America/Bahia dezembro 22America/Bahia 2017

Posted by bluepasj in GENESISTÓRIAS.
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Essas são as coisas que indicam que um jogo foi bem trabalhado, que os desenvolvedores se esforçaram para fazer um bom jogo para a plataforma à qual é destinado (no caso, Mega Drive). Mas são apenas indícios, jogos que diferem dessas virtudes não são sempre ruins, não é uma regra. Mas se eles não apresentam nada disso, eles provavelmente poderiam ter sido melhores. Para saber o que olhar se estiver procurando pelos indícios de que foi mal trabalhado, procure pelos 13 Pecados dos 16-Bits aqui no Drive Your Mega.
1 – Sprites grandes e muitos sprites na tela sem slowdown

big sprites genesis

Um jogo ter sprites grandes era motivo de ser capa de revista naquela época, simplesmente por que nem o Mega Drive nem o Super Nintendo, os consoles de maior sucesso da época, não podiam nativamente fazer sprites grandes. Usavam truques como muitos sprites para criar apenas um personagem (meta-sprite) ou chefes enormes feitos com a camada de fundo do cenário. Acredito que grande parte do poder dos jogos de luta um contra um na época são seus sprites grandes. Era mais fácil nesses jogos, que apresentam apenas dois personagens e um cenário em tela. Yuyu Hakusho Makyo Toitsusen, por exemplo, pode ter até quatro personagens em tela, mas em compensação eles são menores do que o comum nesse tipo de jogo.

Muitos sprites na tela sem slowdown é muito útil para jogos de ação, dos quais o Mega Drive é cheio. Indico Gunstar Heroes para verem essa virtude em ação. Lembre que explosões, tiros, inimigos e personagens são todos sprites. Os shmups, ou shoot ‘em ups, são outro gênero recheado de sprites e muito famoso no Meguinha, com jogos como Thunder Force IV.

2- Bom uso de cor

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Essa já é mais difícil de se conseguir no Mega Drive, que tem 512 cores para se escolher no total, mas só pode usar 64 cores divididas em 4 paletas. Na verdade, não são 64 cores, por que alguma cor tem que ser usada para ser invisível, a cor de fundo dos tiles e sprites. Na imagem ao lado, a cor transparente seria o verde claro que rodeia os sprites do Sonic (como já mencionado na matéria “As Limitações do Mega”).

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Essas paletas acima são de uma tela do Ultimate Mortal Kombat 3, no cenário The Pit 3, com os personagens Noob Saibot e Reptile. É possível notar que o jogo usa uma paleta inteira para cada um dos personagens e as outras duas paletas para o cenário e elementos da HUD (barras de vida, contador de tempo). Em comparação, o concorrente Super Nintendo tem uma paleta-mestre de 32.768 cores e pode ter até 256 cores simultâneas na tela. Não conheço exatamente quantas paletas o SNES tem, até por que isso varia dependendo do modo que está sendo usado, sendo que o SN tem 8 modos com diferentes números de fundo (background), cores e resolução. Apesar de alguns modos serem mais restritivos do que outros. Mas isso é irrelevante em um blog sobre Mega Drive. Exceto pela diferença inegável entre as capacidades de cores do Mega e seu concorrente direto. Isso fazia com que o MD tivesse que sair da zona de conforto (do mesmo jeito que o SN tinha que o fazer por que o MD tem processador mais eficiente). Os jogos do Mega Drive podem usar muitas ferramentas para isso, como modo de contraste para simular mais cores, dithering e compartilhamento de cores.

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Mas o que é um bom uso de cor? Dithering inteligente, que some sem deixar rastros; cores que combinam e contrastam umas com as outras. A imagem acima é um círculo cromático, é fácil encontrar diferentes versões disso na internet. Ele mostra cores que combinam estéticamente quando colocadas próximas, sendo as cores em frente umas às outras as que mais combinam. Por fim, é claro, fazer sentido com a realidade também é importante. Pele ter cor de pele, terra ser marrom como na vida real. Abaixo, temos como exemplo a versão original de Samurai Shodown do Mega à esquerda e uma versão hackeada à direita, em que a pele tem cor natural, e não o tom amarelado de deficiência de ferro da versão original.

yellow skinned samurai

Abaixo, três exemplos de ótimo uso das paletas do MD.

3- Bom uso do chip sonoro

Isso obviamente significa boas trilhas sonoras, o que é um conceito apenas artístico. Mas unicidade, ser original, por mais que também pertençam ao reino da arte, ainda tem um aspecto técnico. Por que o chip sonoro do Mega Drive é em si um instrumento musical eletrônico, um sintetizador, e tem maior facilidade com sons característicos que tem a tendência de soarem iguais se não se tomar cuidado. Por isso quanto mais diferente da norma, quanto mais original, melhor. É claro que a qualidade dos instrumentos, eles não soarem chiados, por exemplo, é importante também. Alguns jogos também usam o chip sonoro Z80. O Zilog Z80 é o chip sonoro do Master System e o coprocessador sonoro do Mega Drive, presente no MD para permitir a retrocompatibilidade existente com o Master System. O grande exemplo de bom uso do MD para músicas são os dois primeiros jogos Streets of Rage, compostos pelo mestre Yuzo Koshiro.

4- Boas vozes/efeitos sonoros

Outra coisa com que desenvolvedores não muito bons tem problema no MD. Esse problema é perceptível em coisas como o corte da música pelas vozes em Rock ‘n Roll Racing ou as vozes roucas dos Street Fighter. O hack do Stef para SFII mostra bem a diferença que uma boa programação pode fazer.

Abaixo, alguns ótimos exemplos da capacidade do MD para fala.

Streets of Rage não é um bom exemplo para vozes, apesar de ser um excelente exemplo para músicas. SoR também é uma boa mostra de algo mais: bons efeitos sonoros. Os efeitos sonoros de pancada são bem satisfatórios, assim como as explosões de Contra Hard Corps, ou os tiros de Vectorman. Ultimate Mortal Kombat 3 também tem ótimo design sonoro e inclusive ganhou uma votação que fiz sobre melhores efeitos sonoros. Pr fim, temos o som do carro em Formula One ou Super Monaco GP II, entre outros, que é satisfatório, enquanto não o é em Mario Andretti Racing, por exemplo.

5- Efeitos especiais

As pessoas estavam prestando cada vez mais atenção a certos elementos adicionados aos jogos, como zoom (aumentar ou diminuir sprites), rotação (girar sprites), etc. Isso se exacerbou por que o SNES tem acesso a esses feitos de maneira nativa, as instruções já estão prontas lá dentro, o que torna mais fácil aplicá-los lá. No Mega Drive, é mais complicado, precisa ser programado, é feito por software. O que nem foi um problema, pois o processador veloz permitiu efeitos muito bacanas no 16-bits.

Jogos como Contra, Castlevania, Adventures of Batman and Robin e Gunstar Heroes são perfeitos exemplos do quão longe o MD pode ir sem ajuda de nenhum chip adicional, como era comum no concorrente. Esses efeitos não adicionam nada ao jogo, não fazem nada pela jogabilidade, são desnecessários, mas adicionam um sabor extra aos jogos.

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6- Animações suaves, com muitos frames

Os jogos da Shiny Entertainment, do David Perry, são o exemplo-mor disso, assim como o Aladdin.

 

7- Responsividade nos controles

Essa é óbvia. É quando você está jogando Sonic e sente que é tudo intuitivo e fluido e que quando você aperta o botão, sabe que o personagem vai reagir imediatamente e que você pode sair de situações apertadas com sua habilidade, e que quando você falha em realizar alguma coisa no jogo, a culpa é só sua. É quando você realiza um movimento de meia-lua em Street Fighter e o jogo registra o seu movimento, fazendo com que a jogabilidade sinta justa e precisa. E é quando você soca alguém em Streets of Rage e sabe que se você está próximo o suficiente, vai atingir o oponente, por que a detecção de colisão é perfeita.

8- Bom Level-Design

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Quando o layout das fases complementa os movimentos do personagem e oferece oportunidades e desafios ao jogador, de modo a gerar decisões significativas e a chance do jogador se expressar. Todas as escolhas tem que oferecer risco, benefício e, portanto, consequências. Engloba todos os caminhos possíveis, obstáculos, a localização dos inimigos e o padrão de ação dos mesmos. As fases também precisam ter identidade própria, a arte ajuda nisso, mas não adianta se a fase não tiver características únicas que afetam o gameplay, especialmente os chamados gimmicks de fase.

Sobre a Produção da Série Road Rash 17 17America/Bahia dezembro 17America/Bahia 2017

Posted by bluepasj in ENTREVISTAS, GENESISTÓRIAS, Traduções.
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RENEGADOS“Na época, a EA não estava de verdade no negócio de jogos caseiros”, começa Randy Breen, produtor de Road Rash. “Eles tinham feito alguns jogos de NES, mas acho que é sabido que haviam conflitos internos sobre o apetite deles em se mover para os consoles. Na época, a memória do crash do Atari era ainda muito presente, então a maior parte do foco da companhia estava nos jogos de computador”.

Nos anos posteriores ao famoso crash, a EA tinha começado a dar passos em direção ao mercado de jogos de console, principalmente nas categorias que a companhia identificava como, de acordo com Randy, “estratégicas” e nas quais podiam “ter o mercado”.  Essas áreas eram esportes, o que incluía o recentemente lançado John Madden Football no Apple II, Commodore 64 e DOS, e também corrida, que levou ao desenvolvimento preliminar de um jogo chamado Mario Andretti Racing no NES. Durante a criação desse problemático jogo, o programador-chefe Dan Geisler foi trazido a bordo, e logo ficou óbvio que o jogo estava indo na direção errada.

arte conceitual personagens road rash 3

Artes conceituais para personagens de Road Rash 3

“O produtor [Randy Breen] que estava naquele projeto [Mario Andretti Racing] tinha acabado de terminar o Madden e também fez Indianapolis 500 no Amiga e DOS”, Dan elabora. “Era um jogo básico de simulação, provavelmente o tipo mais entediante de corrida que se podia ter. Dirigindo sem fim na mesma p***a de pista por 800 quilômetros, e em tempo real. Você está brincando comigo? Além disso era um simulador, então você não vai poder cair. Se você cair, é isso, perdeu a corrida!”

Mario Andretti Racing iria seguir uma fórmula similar, mas Dan, junto com Randy e o resto dos desenvolvedores Carl May e Walt Stein, começaram a pensar em um tipo diferente de jogo de corrida, um que não necessariamente aderia (possivelmente alienava) ao realismo. O Carl e o Dan se livraram de quadriciclos como possíveis veículos de corrida (por causa do cenário de Andretti Racing), enquanto o Andy, que era um entusiasta de Café Racing e da fórmula 1, sugeriu motos. Dan diz que ele dirigia uma moto à época, e isso o levou a formular o título da franquia. “Eu tinha feito uma viagem a Los Angeles para ver alguns amigos”, ele lembra. “Dirigi na Mulholand Drive e pensei, ‘cara, se você cair aqui, você vai conseguir um belo arranhado da pista [road rash]’, que é algo que já tive no passado”.

Então Dan sugeriu Road Rash on Mulholand Drive como um nome possível, que o Randy usou para apresentar o jogo aos executivos da EA. O nome eventualmente foi diminuído para Road Rash, e com o novo nome veio uma nova direção, que deixava pra lá a simulação em prol de algo mais acessível. O desenvolvimento se moveu do NES para o Mega Drive.

Dan não era estranho aos jogos de direção, já que antes de se juntar à EA ele trabalhou em um dos primeiros, senão o primeiro, jogo de direção de mundo aberto: Spectrum HoloByte’s Vettel para Mac e DOS. Sua codificação naquele título pioneiro formaria a base de trabalho do novo jogo de corrida.

“Eu mapeei toda a cidade de San Francisco com postes de luz e toda acurácia”, Dan diz. “Mas havia um problema com San Francisco – parece uma grade, exceto pelas autoestradas que cortam. Então criei uma estrutura de dados para representa-las. Usei um algoritmo para estimar a curvatura da pista, e isso acabou se tornando a base para Road Rash”.

O jogo acabaria incluindo locações e pistas na Califórnia. “Usei a estrutura de dados que estive sonhando enquanto estava no chuveiro e a aperfeiçoei”, Dan rememora. “Com a memória do Mega Drive, eu podia ter feito 1290 quilômetros de pistas únicas… eu teria mapeado toda a costa da Califórnia com fidelidade”.

Também trazido para o time depois que o projeto estava em andamento foi Arthur Koch, que preencheu o papel não-oficial de artista-chefe. “Acabei ficando envolvido em quase todos os aspectos do jogo”, ele diz. “Um dos problemas era que tudo tinha que caber em uma paleta de 64 cores, o que era difícil para muitos artistas entenderem. Então eu pegava toda a arte para conformá-la aos requerimentos técnicos e treinava o pessoal nas ferramentas da casa”.

De acordo com Randy, uma grande porção do desenvolvimento inicial foi devotada quase inteiramente a conseguir visual sólido de direção. “Levei aproximadamente seis meses para conseguir um bom efeito de pista”, Dan adiciona. “E quando finalmente consegui acertar esse efeito de pista, as pessoas viram e entenderam, e pensei ‘Ah, é isso. Funciona’. Está melhorado na versão final, mas consegui umas colinas maravilhosas naquela primeira iteração”.

Também diferente naquela primeira versão era a física flutuante das motos, que acabou sendo motivo de discórdia com a gerência. Ainda assim, Dan convenceu os chefes a darem mais licença artística a ele. “Era um tipo de tensão”, Arthur adiciona. “Me lembro de algumas reuniões a portas fechadas acontecendo [com a gerência]. Eu não pude ouvir exatamente o que estavam dizendo, mas estavam falando bem alto, e não estavam concordando”.

Road Rash se recusava a ser um jogo de corrida ordinário. Policiais, que iriam perseguir os jogadores e prendê-los se eles batessem, foram adicionados para tensão extra. “Fui ao departamento de polícia e falei com esse policial de moto para posar para fotos”. Arthur diz, lembrando um tempo antes das pesquisas por imagens no Google. “Acho estranho que eles até me deixaram fazer isso. Duvido que hoje em dia eu pudesse convencer um policial a me dar uma hora e posar para algumas fotografias!”

Road Rash ir além dos limites foi solidificado dando aos jogadores a habilidade de atacar outros corredores. A introdução de combate, que era parte do conceito original do Andy “como uma forma de entretenimento”, iria efetivamente deixar o jogo sem lugar designado nas prateleiras das lojas. Como Dean aponta, esse problema criou um enigma para a equipe de marketing da EA.

“Então estou fazendo todos os efeitos de pista, enquanto isso o Randy está lutando as batalhas com a gerência. A EA é muito movida a marketing e vendas, eles ficam desconfortáveis se não conseguem especificar bem alguma coisa. É um jogo de motocicletas? É um jogo de luta? Bem, era um jogo de luta e corrida, mas antes disso, nunca havia jogos nesse gênero”.

“O primeiro jogo foi confuso para todos”, Arthur adiciona. “O marketing realmente não sabia onde coloca-lo, por que se aproximava de uma simulação de motocicletas, e então nós adicionamos combate, mas os produtores eram caras de simulação. Dan e eu viemos dos arcades e da ação, então havia uma briga entre o time de desenvolvimento, os produtores, o marketing e os executivos sobre como identificar o jogo e como descrever o que o jogo era”.

Para Dan, o jogo era especial. “Hang-On antes de nós era um jogo que eu gostava, mas achei que era limitado – sem colinas, nem socos, nem chutes. Eu respeito o Yu Suzuki, mas tinha na minha mente que isso faria o Hang-On obsoleto. E acho que meio que conseguimos isso.”

Apesar de Road Rash estar há apenas alguns meses em desenvolvimento, a EA queria promover o jogo na próxima CES como uma mostra de suporte ao Mega Drive, um prospecto com o qual o time não estava exatamente entusiasmado. Como esperado, não foi tão bem e teve que ser apresentado outras duas vezes à gerência para evitar ser cancelado. Depois de extensivos um ano e meio de desenvolvimento, Road Rash foi lançado no outono de 1991, e foi o título mais rendável da EA até então.

Antes do fim do natal de 1991, a editora tinha se compromissado a fazer uma continuação, e agora que o novo gênero tinha sido estabelecido havia muito menos conflito interno sobre seu lugar no mercado. “O marketing não sabia que m***a  era Road Rash, mas amaram a continuação”, Dan revela. “Uma vez que sabiam que o novo gênero tinha sido criado, estavam por toda parte”.

O tempo para terminar a sequencia de Road Rash foi curto, mas pelo menos o time estava começando com a base pronta. “Nós já tínhamos feito uma extensão do primeiro”, Dan diz. “A EA pediu por isso em um ano e levou um ano e meio. É claro, a EA queria [Road Rash 2] para o  próximo natal, e era bem ousado conseguir tudo pronto. No primeiro jogo, gastamos muito tempo na tecnologia, só conseguindo as ferramentas e fazendo ficar certo e funcionar em conjunto. Mas com a continuação tínhamos tudo isso do começo, então pudemos focar na jogabilidade, nas armas e então em melhorar os personagens e animações”.

Foi decidido que Road Rash 2 deixaria a Califórnia para explorar o resto dos Estados Unidos continentais, com pistas em Arizona, Vermont, Tennessee, Alasca e Havaí. “Eu estava tentando manter uma certa progressão através da fantasia do produto”, diz Randy, “que era que o primeiro Road Rash era uma coisa baseada nas raízes. Aconteceu localmente e  as pessoas realizariam essas corridas em segredo e fariam elas em estradas escondidas onde ninguém sabia sobre elas – tipo Clube da Luta. E eles gradualmente expandiram”.

“Elas eram baseadas em locações reais”, Arthur adiciona sobre as pistas. “Alguns dos artistas basicamente reduziram as cores de uma foto, enquanto outros de nós só pegávamos [uma foto] como referência e desenhávamos no computador”.

A continuação também adicionou um menu mais enxuto, mecânica de nitro para as motos e uma corrente como segunda arma. “Para o movimento da corrente, eu na verdade peguei um vídeo de mim mesmo”, Arthur diz. “Foi para que eu pudesse ir frame a frame através dos movimentos e entender as mecânicas do corpo por trás da animação”.

artes conceituais tela de seleção de pista road rash 3

Artes conceituais de diferentes versões da tela de seleção de pistas

Mas Road Rash 2 não simplesmente introduziu novos conteúdos; completamente melhoraram o modo multiplayer por turnos do primeiro jogo em algo que duas pessoas podem jogar simultaneamente. “Essencialmente o jogo principal era a mesma engine, mas a grande nova tecnologia era o multiplayer em tela dividida, que adicionava toda uma nova dimensão”, Dan explica.  “E foi difícil. Gastei aproximadamente três meses fazendo apenas isso”. E Arthur adiciona que eles estavam puxando o Mega Drive substancialmente. “Punha mais limitações em nós por que estávamos mostrando o dobro de coisas na tela, e isso diminuía o framerate, o que tirava da jogabilidade. A parte difícil sobre o primeiro jogo era ir aos artistas e dizer a eles que eles não podiam ter muita arte na tela de uma vez. Mas no segundo jogo, a tela divida fez as coisas ainda mais limitadas”.

Também novas em Road Rash eram as charmosas cenas que tocariam no fim das corridas. Por exemplo, se os policiais pegassem um jogador, eles iriam jogá-lo no porta-malas de um carro de policia, ou se um jogador não chegasse ao pódio , uma mulher velha bateria nele com uma corrente. “Nós demos início a essa ideia de uma sequencia cinematográfica como uma recompensa pela sua performance”, Arthur diz. “Eu tive que fazê-las em baixa resolução  para caber na memória. [Os personagens] eram o que nos referimos como ‘pequenos caras’. Eles eram animações de dez pixels, e mal havia storyboards delas”. Outra notável inclusão a Road Rash 2 foi algo pioneiro na era pré-classificação indicativa. A lei agora podia tomar dano e também lutar de volta, enquanto no primeiro jogo eles eram imunes aos ataques do jogador e só podiam empurrar outros jogadores com as motos.

“Road Rash 2 foi o primeiro jogo em que você podia verdadeiramente bater, e apanhar, de um policial”, Arthur diz. “Foi bem controverso na época, por que foi quando o Rodney King foi espancado, e isso foi a primeira vez que o público americano tinha realmente visto brutalidade policial. A EA também tinha uma política ‘sem sangue’, então eles realmente tentavam se afastar da violência nos jogos. Nós na verdade não sabíamos se devíamos ou não manter isso no jogo”.

Mas nem tudo mudou na continuação. Retornando em Road Rash estavam as quedas. “Desde o primeiro jogo, fazer as batidas serem legais era parte do foco”, diz Randy. “Estávamos fazendo referência ao Papa-Léguas e outros cartoons onde o vilão apanha. Apesar de te atrapalhar, era divertido de assistir”. Arthur, que criou as batidas, adiciona informações sobre sua origem. “Eu trabalhei em Madden Football e Lakers vs. Celtics, e estava desapontado com os tackles e as quedas e as faltas”, ele diz. “Pensei que podíamos ser muito mais dinâmicos. Então sugeri que devotássemos mais frames de animação às quedas”.

time do road rash original

O time original de Road Rash

Road Rash 2 foi lançado em 1993 e, de acordo com Randy, vendeu mais que o original. Mas, como Dan explica, o sinal verde para Road Rash 3 não era exatamente certeza. “Havia uma lacuna entre Road Rash 2 e 3, por que, bem, vamos dizer que eu não fui devidamente recompensado e estava deixando a companhia depois de Road Rash 2″, ele revela. “Eles queriam que eu fizesse Road Rash , mas eu realmente pensei que tínhamos ido com a tecnologia o mais longe que pudemos e não havia muito mais a oferecer”. Aceitei uma oferta da Crystal Dynamics e a EA estava tentando me trazer de volta. Eu disse ‘olha, eu não ganhei nada por esse primeiro ou esse, então se vou voltar, eu quero essa quantia de cara’. E eles concordaram. Vou te dizer, entretanto, não foi o suficiente para comprar um par de motos, e definitivamente não pagou meu aluguel”.

Uma vez de volta à EA, Dan foi colocado em um time com a nova designer Amy Hennig trabalhando em um jogo do Michael Jordan. O projeto acabou não sendo o certo para Dan, ou como ele mesmo diz, “simplesmente não havia a sincronia necessária ao time”. Então, depois daquela frustração, veio o princípio de Road Rash 3.

“Um dia eu estava um pouco chateado, me encontrei com Bing Gordon [VP de marketing] e disse ‘Você quer Road Rash 3?’, e ele disse ‘Você quer fazê-lo?’ e eu disse ‘Sim, acho que podemos fazer mais rápido do que faríamos esse outro jogo, e bateremos eles no mercado e eles vão para a seção de descontos e nós vamos para o topo dos gráficos’, então ele disse ‘Tudo bem, vou pegar seu time’”.

Recrutado da Cinemaware especificamente para o time em questão foi Michael Hulme, um artista de videogame com experiência em animação tradicional com a Disney (Darkwing Duck e Tico e Teco e o Taz da Warner). “Eles me sentaram e disseram, ‘A diretoria está dizendo que esse vai ser o último jogo da EA para Mega Drive, então tudo que você tiver aprendido, qualquer truque, qualquer técnica – jogue dentro!’ Eu tinha jogado Road Rash e Road Rash 2, então foi só uma questão de saber a história e olhar para isso e pensar ‘Como podemos melhorar isso? Como podemos fazer sentir que é parte da mesma linhagem, mas realmente leva-lo a um lugar que as pessoas não viram antes?’”.

Já que o Mega Drive tinha relativamente chegado ao limite em termos de tecnologia e o marketing queria uma “grande nova característica”, foi sugerido que o terceiro jogo fosse ao redor do mundo com seus locais, levando os jogadores a novas pistas na Austrália, Quênia, Japão, Itália , Brasil, Alemanha e o Reino Unido. “Eu pintei muito do estilo conceitual dos diferentes países”, Michael lembra. “As pinturas eram conceitos brutos. Eles eram coisas rápidas como storyboards, e em quatro dias eu tinha feito dez pinturas. Tentei ter uma paleta diferente para cada locação para que sentissem diferentes. Eram dez originalmente, e então diminuímos para sete no fim”.

time original de road rash, em 2007

Novamente o time original de Road Rash, em reunião em 2007

Também estrearam nessa iteração novas armas como uma clava, um pé-de-cabra e até uma vara de gado,e o jogador podia manter tudo entre as corridas, um primeiro para a série. Mas talvez mais interessante de tudo é o fato de que o jogo estava sendo desenvolvido em paralelo com o Road Rash do 3DO. Os títulos compartilharam recursos de desenvolvimento e, como Randy coloca, o Road Rash 3 era um ‘produto híbrido’.

“Road Rash 3 estava acontecendo em um momento interessante”, ele continua. “Estávamos começando a olhar para o 3DO, e estávamos olhando para outras técnicas para criar recursos. Também estávamos olhando para o Sega CD. Se tornou um produto de ponta em um nível entre o Road Rash no Mega Drive e o Road Rash no 3DO, que foi desenvolvido por um time diferente. Eu estava trazendo algumas ideias e técnicas em ambas as direções”.

Uma dessas ideias compartilhadas foi o conceito de motociclistas digitalizados, uma característica que foi trazida pela enchente de novos consoles e tecnologias. “Em 1995, o primeiro Playstation estava aparecendo”, Dan lembra, “e a Panasonic vinha a cada seis meses com o CDi, falando sobre como tudo iria ser um filme interativo. Então a EA queria ir com a aparência mais cinematográfica”.

O 3DO era um hardware da próxima geração e podia lidar com personagens renderizados com relativa facilidade, mas colocar essas mesmas imagens no envelhecido Mega Drive foi um desafio. “Os recursos do 3DO tiveram que ser reutilizados dramaticamente para o Mega Drive”, diz Randy. “Efetivamente, o que tínhamos arrumado era um motociclista de manobras local no estúdio, e ele estava vestido com o que era basicamente codificado em cores para que pudéssemos separá-lo de uma tela verde. Então os artistas rearranjariam essas imagens, retocariam e definiriam como fazê-las trabalharem no Mega Drive”.

Também há que se notar que os personagens no jogo falariam com o jogador entre as corridas, eles eram todos empregados da EA. “A maioria deles eram pessoas do time”, Michael diz, “Nos vestimos como esses personagens diferentes baseados nas locações das fases e um fotógrafo veio. Foi divertido! Randy tinha uma moto de luxo e a usamos para muitas das fotos”.

Road Rash 3 foi lançado em 1995 e, como Randy diz, vendeu mais que ambos o primeiro e o segundo jogos. “A EA hospedou esse evento de lançamento nos seus estúdios  e trouxe a imprensa e tudo o mais”, Michael se lembra. “Eu não sei quanto dinheiro eles gastaram, mas eles encheram essa sala com motocicletas. Eles trouxeram palmeiras para a fase no Brasil, e me fizeram fazer um design para camisetas customizadas de Road Rash 3”.

Então, com isso, a trilogia original chegou ao final. É claro que a série acabaria chegando a outras plataformas, mas é discutível que a faísca original nunca foi recriada. “Me dá a maior felicidade ver pessoas ainda aproveitando os jogos e tendo memórias tão queridas”, termina Dan. “Road Rash apareceu no Reddit esses dias, e foi muito legal ver quantas pessoas tinham memórias maravilhosas com seu irmão, seus amigos ou seu pai com o qual raramente passavam tempo. A realização de quantas vidas foram enriquecidas por essa série – é uma coisa verdadeiramente mágica”. (mais…)

Drive News – Xeno Crisis 14 14America/Bahia dezembro 14America/Bahia 2017

Posted by bluepasj in DRIVE NEWS.
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0496a36c41c2bfa08bc833680490e584_originalEsse é um novo jogo que vai ser feito e sair em versão física (e ROM para financiadores) para o Mega Drive. Financiado pelo Kickstarter, Xeno Crisis é um jogo de tiro em 8 direções em arenas com visão de cima no estilo arcade para Mega Drive, com inspiração em clássicos como Smash TV e Contra. Características únicas do jogo serão a criação aleatória de mapas e de salas individuais também. O artista do jogo é Hank Nieborg, o mesmo cara que fez a arte de Flink, da Psygnosis. Planejam lançá-lo em outubro de 2018, coincidindo com o aniversário de 30 anos do lançamento do Mega Drive no Japão. Uma meta adicional foi alcançada e o jogo também terá modo para dois jogadores. Outra meta possível é de ser lançado também para Dreamcast.

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Fonte: Kickstarter