jump to navigation

Street Fighter II – Sobre a Produção do Port MD 27 27America/Bahia agosto 27America/Bahia 2018

Posted by bluepasj in ENTREVISTAS, GENESISTÓRIAS, Traduções.
Tags: , , , , , , , ,
add a comment

3_street-fighter-2-plus-champion-edition-8.png


Nesse trecho da matéria do site Polygon, Street Fighter – Uma História Oral, pessoas importantes da Capcom comentam sobre como foi que o port de Street Fighter II Champion Edition para Mega Drive acabou acontecendo, quando a Capcom tinha uma relação muito firme com a competidora Nintendo.

gillin

John Gillin (Diretor de Marketing da Capcom da América):
Lá no Japão, os executivos da Sega estavam cortejando os executivos da Capcom… havia drama por lá.. era difícil. Mas no fim a Capcom concordou em criar uma versão de Street Fighter para o Mega Drive. E ouvi que isso não fez os caras da Nintendo muito felizes.

IanRoseIan Rose (Conselheiro Geral da Capcom da América):
Havia uma relação muito próxima, ou uma relação razoavelmente próxima, entre a Capcom e a Nintendo… eu me lembro que o Tsujimoto veio com sua equipe na nossa direção na CES (em 1992, e) alguns de nós fomos até Seattle e visitamos a Nintendo, e passamos alguns dias com a Nintendo… Gastamos tempo na casa (do presidente da Nintendo da América, Minoru Arakawa); saímos para jantar com ele e tudo o mais. E era tudo sobre essas relações e quão importantes elas eram, eu acho, isso movia muito das conexões e decisões de negócios.

LaurieThortonLaurie Thornton (Gerente de Relações Públicas da Capcom da América):
Todos sabiam que a Capcom era a queridinha da Nintendo. A relação lá no Japão era bem próxima. Eu me lembro de precisar segurar informação sobre nossos planos específicos de lançamento e detalhes de plataformas enquanto muita negociação estava acontecendo por trás de portas fechadas.

JoeMoriciJoe Morici (Chefe de Jogos Para o Consumidor):
Eu gostaria de acreditar que fui bem instrumental em conseguir (que a Capcom do Japão) começasse a suportar o Mega Drive. Continuei pressionando por isso. Eu ia ao Japão todos os meses… a Capcom tinha uma casa de companhia. Nós nos encontrávamos todo o tempo e íamos lá para discutir o que estava acontecendo.

ScottSmithScott Smith (Gerente de Produtos da Capcom da América):
Eu sei que o Joe falou com a Sega no começo, e então finalmente conseguimos o OK do Japão tipo, “Sim, eles vão devotar recursos ao Mega Drive”. E fizemos uma conferência de imprensa depois de muito vai e vem, com a Sega no (hotel) Sofitel (em Redwood City, CA). Tivemos um café da manhã para a imprensa e coisas assim e anunciamos a parceria entre a Capcom e a Sega. Apesar de eu achar que a arte tinha um Megaman dando um aperto de mãos com o Sonic, obviamente o primeiro jogo iria ser Street Fighter 2: Champion Edition.

JoeMoriciJoe Morici: (A Capcom do Japão) ia fazer um time externo desenvolvê-lo. Eles não estavam fazendo isso dentro da Capcom. Era provavelmente a primavera daquele ano quando tinham uma versão de Street Fighter: Champion Edition que queriam que eu olhasse. E eles não estavam contentes com a qualidade do jogo no Japão.

AkiraNishitaniAkira Nishitani (Planejador da Capcom do Japão):
Eu me lembro de quando a versão do Mega Drive chegou. Eu chequei a ROM e basicamente disse, “Isso é terrível. Abandone tudo”.

JoeMoriciJoe Morici: Eu joguei e pensei: “É boa o suficiente para lançar”. E eu disse: “Se não lançarmos, e lançarmos contra Mortal Kombat no outono, (vamos estar com problemas). Eles estão gastando mais do que nós, fazendo mais propaganda do que nós com um jogo muito diferente de Street Fighter. Não são personagens cartunescos como Street Fighter; é mais realista. Devíamos lançar o jogo agora. Vamos ter quatro meses até Morta Kombat. Chegaremos ao mercado primeiro. Vamos matá-los”. Bem, eles escolheram esperar, e ir diretamente contra Mortal Kombat. Acho que lançamos (os jogos) com uma semana de diferença. Muitos dos pedidos que eu tinha estavam pendentes… acho que fiz pedidos para dois milhões de unidades, uma grande quantidade do produto estava vindo. E uma vez que é feito, você não pode cancelar a ordem. Está a caminho; está vindo. Então a esse ponto eu disse: “Bem, acho que estamos fazendo a decisão errada”. Eles discordaram de mim. Eu disse: “Ainda acho que estamos tomando a decisão errada”.

minamiTatsuya Minami (Planejador de Vários Ports para Console de Street Fighter):
Me lembro de ser os primórdios do desenvolvimento multiplataforma (com contratos e negociações que eram incomuns na época), por que haviam acordos com os fabricantes de hardware. Então se você pusesse na Nintendo aqui, então tinha que colocar no Mega Drive e no PC Engine nesse período ou estaríamos quebrando contratos, etc.

AkiraNishitaniAkira Nishitani: Depois que dissemos não para a versão produzida externamente, acabamos fazendo em casa. E a Capcom deixou o time usar 24 megs, quando normalmente só se podia usar 16. Então no fim fiquei feliz com o modo como terminou.

JoeMoriciJoe Morici: O Jogo vendeu bem. Não vendeu tanto quanto previmos, por que foi lançado junto com Mortal Kombat. Eles tiveram o Mortal Monday. Eles eram uma firma muito, muito boa em marketing; tenho que dar crédito a eles por isso. A jogabilidade em si não era, eu acho, tão boa quanto a de Street Fighter, mas tinham ótimo marketing.

Fonte: Polygon

Franquias Mais Longevas no Mega Drive 24 24America/Bahia agosto 24America/Bahia 2018

Posted by bluepasj in LISTAS.
Tags: , , ,
add a comment

Depois de falar das empresas mais prolíficas do Mega Drive, nada mais justo do que listar também as franquias de jogos que tiveram mais entradas lançadas no pretinho da Sega, assim como também aqueles cujos lançamentos pegaram grande parte da vida do console. Notei que não tem nada tão longevo assim, as franquias pareciam simplesmente não ser tão exploradas naquela época, mesmo com tempos relativamente curtos de desenvolvimento. Mas sem mais delongas, vamos à lista!

College Football – 4 jogos

bill-walsh-college-football-95-genesis-screenshot-kick-offs-280x210

Que começou a vida como Bill Walsh College Football. Como o nome diz, é uma franquia de jogos de futebol americano em nível universitário, muitos feitos pela High Score Productions, subcontratada da EA. O homem que nomeia a série, Bill Walsh, é um técnico que atuou em vários times, geralmente em San Francisco. Teve 4 jogos entre 93 e 96.

ESPN – 4 jogos

espn-speedworld-05

ESPN é um famoso canal americano que fala sobre esportes, cuja sigla significa Entertainment and Sports Programming Network (emissora de programação de entretenimento e esportes). Em 1994 foram lançados quatro jogos com a IP, todos publicados pela Sony Imagesoft, cada um de um esporte diferente: corrida. baseball, hockey e futebol americano. Nenhum deles é realmente bom.

Fifa – 5 jogos, 4 anos

fifa-95-300x210

Com cinco jogos lançados entre 93 e 97, pode-se dizer que definiu o console, a maior franquia de futebol que o MD teve pois, ao contrário de esportes como futebol americano, não houveram tantos jogos marcantes de futebol para competirem. O último, Fifa 98, só foi lançado na Europa. De todos os quatro jogos lançados, o que tem a melhor média no SegaRetro é o Fifa Soccer 95.

Golden Axe – 4 anos*

golden-axe-mega-drive

Esta aclamada série de jogos hack ‘n slash de fantasia medieval se encontra nessa lista pelo simples fato de que o primeiro jogo saiu em 1989 e o terceiro saiu 4 anos depois, em 93, fazendo com que o ritmo de lançamentos cobrisse grande parte da vida do Mega. Vale notar que a versão ocidental de Golden Axe III foi lançada apenas através do serviço online Sega Channel (dois anos depois do lançamento original japonês, o que faz sua presença aqui meio que uma trapaça minha).

Madden – 8 jogos, 7 anos

madden-nfl-95-280x210

Muito celebrada franquia de futebol americano da EA, que obviamente fez muito sucesso nos Estados Unidos, ao ponto de ter oito jogos lançados em 7 anos. Os times internos da EA se revezavam para lançar esses títulos. Pode-se também subdivir a franquia entre antes e depois da EA adquirir a licença oficial da NFL, a liga nacional de futebol dos Estados Unidos. Todos os cinco jogos feitos com essa licença foram desenvolvidos pela High Score Productions. Quase todos os jogos conseguiram médias altíssimas, sendo o John Madden Football’ 92 o que tem a maior média (93 com 18 reviews!). E quem é John Madden, você se pergunta? Ele era um técnico de futebol americano que depois se tornou comentador esportivo.

Jurassic Park – 4 anos

jurassic-park-2-the-lost-world000.jpg

A Sega adquiriu os direitos para produzir jogos baseados no popular filme Parque dos Dinossauros, de Steven Spielberg. Dois jogos foram produzidos pela americana BlueSky Software e o terceiro, baseado no segundo filme, foi feito pela Apaloosa. Os jogos foram lançados no mesmo ano dos filmes, isso fez o primeiro sair em 93 e o último em 97, com quatro anos de diferença entre eles (o segundo saiu em 94).

Mortal Kombat – 4 jogos

mkombat.gif

A violenta série de arcade teve 4 de seus jogos portados para o MD entre 93 e 96. As médias de seus reviews são similares, com MKII tendo recebido notas um pouco mais altas.

NBA Live – 4 jogos

nba-live-97-mega-drive

Outra franquia da EA. Com quatro jogos, é a série de basquete com mais entradas no Meguinha. Um diferencial dela é sua câmera isométrica. A série é a continuação de NBA Showdown’ 94.

NHL 5/7 jogos

nhl-94-264x210

Para praticamente transformar essa em uma lista de jogos da EA, esta é mais uma IP pertencente a ela. Tendo licença oficial da Liga Nacional de Hockey dos EUA, a NHL, a Electronic Arts lançou 5 jogos no Mega Drive, todos desenvolvidos pela sua divisão High Score Productions. O primeiro jogo, NHL’ 94, é sequência de NHL Hockey e NHLPA Hockey’ 93, e se contar esses dois jogos a franquia tem 7 jogos no MD! De todos os jogos, o melhor avaliado é o NHLPA’ Hockey’ 93, seguido do NHL’ 95.

PGA Tour – 5 jogos, 4 anos

PGA-Tour-III-280x210

Mais uma série de jogos de esporte, dessa vez golf. Se você não é milionário para ir sempre em um campo de golfe (claramente ando vendo séries de TV demais), aqui está sua solução! Tendo 5 jogos em 4 anos, essa série baseia seu nome no circuito de golfe profissional da Associação de Golfe Profissional dos EUA.  Ah, e também é da EA.

RBI Baseball – 4 jogos

38950-R.B.I._Baseball_94_(USA,_Europe)-1470570777-thumb.jpg

Para terminar o passeio pelos esportes amados pelos norte-americanos: baseball. A Tengen lançou quatro jogos de baseball dessa série no Meguinha. RBI Baseball foi o primeiro jogo de seu tipo a ser licenciado pela Associação de Jogadores da Liga Principal de Baseball, a MLBPA. O mais bem-avaliado é o RBI Baseball’ 93.

Road Rash – 4 anos

175241-road-rash-ii-genesis-screenshot-starting-a-race-in-vermont

As corridas de moto ilegais tiveram apenas três iterações no MD, mas a EA fez bem em espaçar elas para manter a franquia nas mentes dos jogadores, portanto o primeiro jogo saiu em 91 e o último só em 95, quatro anos depois. O segundo jogo é o mais aclamado. Ainda tem um outro Road Rash diferente no Sega CD para talvez ser contabilizado.

Shinobi – 4 anos

return of the ninja master

Teve três jogos, entre 89 e 93, ou seja, quatro anos da vida do Mega. Isso foi possível por que entre o primeiro e o terceiro jogos, a Sega lançou uma espécie de adaptação do arcade Shadow Dancer. Entre os três, Revenge of Shinobi foi o mais bem recebido pela crítica.

Sonic – 6 jogos, 5 anos

26848-sonic-the-hedgehog-genesis-screenshot-sonic-s-pretty-fast-for

O carro-chefe do Mega Drive teve cinco jogos de plataforma, sendo um deles isométrico, e um jogo de pinball, totalizando seis jogos. Era óbvio que a Sega não ia deixar de aproveitar a popularidade do ouriço. Sonic & Knuckles pode ser um pouco trapaça, já que este é apenas a continuação de Sonic 3, e ambos podem ser considerados um jogo só separado em duas partes (que se unem), mas foi lançado separado. E se você contar o Sega CD, ainda tem mais um jogo de Sonic a ser contabilizado.

Spiderman – 4 jogos

323366-spider-man-genesis-screenshot-at-the-top-of-the-screen-is

O herói escalador de paredes da Marvel teve quatro aparições no Mega Drive (cinco se você contar algumas revisões de Revenge of Shinobi). O primeiro jogo foi feito pela Sega e é por muitos considerado o melhor deles. Depois a Acclaim lançou um platformer baseado na série animada de sucesso e um beat ‘em up em que o Homem-Aranha se junta ao Venom, que depois teve uma continuação. Você ainda pode querer considerar o jogo de 32X, Web of Fire, sem contar que a versão Sega CD de vs. Kingpin é basicamente um jogo diferente da versão básica MD.

Mickey Mouse – 6 jogos, 4 anos

40008-castle-of-illusion-starring-mickey-mouse-genesis-screenshot

A Sega tinha conseguido já no Master System licença da Disney para fazer jogos com seus personagens, e a aproveitou bem na era 16-bits, a começar pelo excelentíssimo platformer Castle of Illusion, que deu início à série Illusion (que teve só dois jogos). Depois a qualidade decaiu bastante quando ela lançou o Fantasia, baseado no filme de mesmo nome. Depois disso ainda teve o segundo jogo da Sega e em 94 foram lançados nada menos do que 3 jogos, um da Traveller’s Tales, um da Capcom e um da desconhecida Hi Tech Expressions.

World Championship Soccer – 5 anos*

37324-world-championship-soccer-genesis-screenshot-oh-how-rude-but

E para finalizar, mais uma franquia de futebol. WCS durou cinco anos da vida útil do MD simplesmente por que teve dois jogos, o primeiro lançado em 1989 e o segundo em 1994. É basicamente outra trapaça minha. Fica aqui a título de curiosidade.

E nesse ínterim eu termino a postagem que, em retrospecto, é mais uma evidência do por que o Mega Drive fez tanto sucesso nos Estados Unidos, com inúmeros jogos de esportes. Também mostra a importância que a EA teve nisso, sendo bastante generosa em termos quantitativos. Apesar de me surpreender um pouco que não era tão comum na época explorar ao máximo as franquias, muitos dos jogos presentes e ausentes na lista me surpreenderam.

*= trapaça

Entrevista sobre Alien Soldier 20 20America/Bahia agosto 20America/Bahia 2018

Posted by bluepasj in ENTREVISTAS, Uncategorized.
Tags: , , , ,
add a comment

Alien Soldier Entrevista de 1995
com o programador, artista e diretor Hideyuki Suganami.

Alien Soldier é tipo meu bebê… não, tira isso, é meu bebê. E é tão bonitinho. Foi um nascimento difícil. No fim tivemos que fazer uma cesariana perigosa na mãe. Então é um nascimento prematuro…

Com Alien Soldier, eu queria fazer um jogo inteiro por mim mesmo: toda a programação, obviamente, e também todos os gráficos. O sistema de jogo é único e divertido, mas depois do desenvolvimento pensei em novas coisas que podia ter adicionado para fazê-lo ainda mais interessante. Se apenas eu tivesse gastado mais tempo na programação, eu podia ter feito as animações de ataque e chefes com sprites múltiplos mais realistas.
Escolher o Mega Drive, que era bem fraco comparado à nova geração de hardwares, foi como impor uma quantidade absurda de restrições em mim mesmo. Eu posso ter ficado um pouco cativado demais pela ideia geral de fazer um jogo de “tiro de ação”.

Mesmo quando o desenvolvimento de Alien Soldier terminou, minha visão idealizada dele continuou crescendo. Eu queria fazer um outro Alien Soldier. Esse é meu jogo. É meu trabalho. Eu quero completar a história que comecei. Eu queria programar tudo até o fim sozinho, e fazer toda a arte eu mesmo. Eu quero mostrar o processo de como o Epsilon 2 amadurece e se torna o Alien Soldier (soldado alien). O amor juvenil entre Kaede e Fou (o nome de Epsilon 2 quando estava em forma humana), uma Seven Force com sete transformações, ou talvez um chefe com cem transformações – não, até mil! – eu quero criar tudo isso. Talvez essas sejam coisas triviais desconectadas do centro essencial do jogo. É um pouco além do escopo de trabalho normal de um programador, mas não me importo. Eu quero fazer meu Alien Soldier ideal. Mas para ser honesto, por mais que eu ame essa encarnação da Seven Force mesmo tendo apenas cinco transformações, da mesma forma eu amo essa encarnação de Alien Soldier também.

aliensoldier1

As cinco encarnações de Seven Force Kaede em Alien Soldier.

Alien Soldier. Em dois anos que trabalhei criando você, nunca me cansei de ti. Joguei minha vida no Mega Drive, e apostei tudo em Alien Soldier. O único que pode te amar por causa, e não apesar de, suas várias falhas, sou eu. O quê, é errado de um desenvolvedor dizer isso? Bem, eu quero dizer o que eu quero dizer. Não posso colocar tais coisas em meu jogo? Você pode confiar na auto-apreciação de um desenvolvedor? …Alien Soldier é meu. Não me importo se você acredita em mim! Estou sendo… estranho? Alien Soldier é minha amada, e estou loucamente apaixonado por ela. Andando, dormindo, só consigo pensar nela… “Hei, quem você pensa que é?!” Me chame de Excelentíssimo Nami.

(mais…)

As Mais Prolíficas do Mega 4 04America/Bahia agosto 04America/Bahia 2018

Posted by bluepasj in LISTAS.
Tags: , , , , , , , , , , , ,
add a comment

Nessa postagem feita por mim em colaboração com o comando Ctrl + F do computador, venho lhes comentar as empresas que mais desenvolveram jogos para o 16-bits da Sega. Acho interessante notar que muitas das que lançaram os melhores jogos nem aparecem aqui, mostrando que quantidade e qualidade nem sempre andam juntas (mas às vezes sim).

307087-sega-logoSega – A Sega já ganhou um post só dela aqui no blog, A Poderosa Sega, pois não é apenas a produtora do console ao qual este se dedica, como também da grande maioria dos seus melhores jogos. E quando não era a desenvolvedora, era a publisher, a editora que os publicava. Ela era incrível, produzindo jogos de todos os gêneros que existiam e lançando jogos de qualidade e em quantidade.

AM7 – Dentre os estúdios da Sega, alguns se mostram mais prolíficos do que outros, como é o caso do Overworks, ou AM7.  Ele ajudou na produção de alguns dos melhores jogos do console, como Castle of Illusion, Golden Axe e Phantasy Star II, III e IV, por exemplo.

Road Rash 2 (UEJ) [!]000EA – A Electronic Arts só não é tão impressionante quanto a Sega por que quase todos os seus jogos são de um só gênero: esporte. Ainda assim, a quantidade é massiva e muitos tem excelente qualidade, sendo alguns dos melhores jogos de esporte de sua época, e pioneiros do gênero. A EA não apenas suportou o Mega Drive, como também foi um dos fatores decisivos em seu sucesso.

HighscoreProductions_logoHigh Score – A High Score Entertainment ou High Score Productions foi uma empresa subcontratada para desenvolver vários jogos da EA, tendo um total de 19 produções, sendo Jungle Strike uma delas.

300px-Koei_logo.svgKoei – Eu não esperava que a Koei tivesse tido esse impacto, já que era uma empresa de jogos de estratégia e era um gênero não tão popular no ocidente, onde o MD fez a maior parte de seu sucesso. Especialmente não era tão popular em consoles de mesa, fazia mais sucesso nos PCs. Ela foi desenvolvedora e publisher de todos os seus 15 jogos no MD.

ProbeProbe – Responsável por 17 jogos, entre eles Alien 3 e os ports dos dois primeiros Mortal Kombat. Não era uma dev tão talentosa, mas não era das piores também. Nenhum dos seus jogos está entre os mais bem feitos, e nem quando trabalhou com uma série tão afamada quanto MK fez um trabalho melhor.

KonamiKonami – Apesar de eu particularmente achar que ela podia ter feito mais, preciso comendar o trabalho dela no Meguinha. Ela criou alguns de seus melhores jogos, nomeadamente Contra Hard Corps, TMNT Hyperstone Heist, Rocket Knight Adventures e Castlevania Bloodlines. E não apenas desenvolveu jogos próprios, como publicou ela mesma todos eles, e ainda alguns de outras desenvolvedoras, como Zombies Ate My Neighbors da LucasArts e International Superstar Soccer Deluxe da Factor 5.

Bluesky_logoBlueSky – Com 17 jogos no catálogo, todos publicados pela Sega de alguma forma, alguns são jogos de esporte, outros são Jurassic Park e dois são Vectorman. Era um estúdio americano de alta qualidade, apesar de terem feito o horrendo jogo da pequena sereia (Ariel The Little Mermaid).

300px-Tengen_logo.svgTengen – Não é um nome que você instantaneamente reconhece, o que já fala muito da qualidade de seu portfólio. Se trata de uma subsidiária da poderosa Atari que fazia partes de seus jogos, bem como games para outras publishers (como a Sega). Jogos terríveis como Awesome Possum, do qual não me canso de falar mal, foram feitos por ela. Ela nem tem tantos jogos desenvolvidos assim, mas publicou seus jogos e alguns de outras desenvolvedoras também. Foi ela quem publicou, por exemplo, Hard Drivin’ da Sterling Silver Software. Entre os jogos desenvolvidos por ela mesma, destaco Paperboy 2.

CALENÁRIO-NAMCO1Namco – A gigante Namco também foi prolífica fazendo jogos como Splatterhouse 2 e 3 no Meguinha. Desenvolveu cerca de 15 jogos e publicou cerca de 18, de vários gêneros diferentes, sendo que alguns deles (Nadia) ficaram apenas no Japão.

Accolade_logoAccolade – Esta queria tanto lançar jogos para o Mega Drive que fez engenharia reversa no mesmo e foi processada pela Sega. Apesar da Sega ter vencido nas cortes, a Accolade venceu na apelação. Não fez tantos jogos assim, mas publicou mais de 20. Não era tão boa também, mas destaco dela Combat Cars como dev e Zero Tolerance como publisher.

320px-Sunsoft_logoSunsoft – Essa também não foi tão prolífica como dev, mas lançou vários jogos, incluindo os da Iguana Entertainment.

Sculptured_logoSculptured – Essa dev excelente foi quem fez os ports de MK3 e UMK3 para o MD. Ela também é a dev por trás de Pac-Mania, The Punisher, Wrestlemania The Arcade Game e outros 11 games.

250px-virgininteractive_logo.pngVirgin Games – Essa atuou mais como publisher, lançando jogos ótimos de empresas como Delphine Software e Core Design, entre outras. Mas fez parte da produção do aclamado Disney’s Aladdin e também produziu Global Gladiators e Robocop vs. Terminator.

300px-Taito_Logo.svgTaito – Outra que atuou mais como publisher, e lançou vários jogos, inclusive foi dev em alguns. Seu portfólio tem jogos bons e ruins, mas nenhum que se destaque muito.

Fontes: Wikipedia
SegaRetro

Entrevista Sobre Phantasy Star IV (de 1993) 29 29America/Bahia março 29America/Bahia 2018

Posted by bluepasj in GENESISTÓRIAS, Traduções.
Tags: , , , , , , ,
3 comments

ps

Esta longa entrevista sobre Phantasy Star IV foi compilada de várias entrevistas com revistas feitas antes do lançamento, em 1993. Ela cobre as bases usuais, explicando a origem do desenvolvimento e sua relação com outros jogos Phantasy Star. O desejo do time de revisitar a série e corrigir os problemas dos jogos anteriores é um tema recorrente na entrevista.

Ao final, comentários de Rieko Kodama que mostram o lado mais artístico que a série poderia ter tido se os interesses empresariais tivessem intervindo menos.

Entrevista compilada de BEEP, Dengeki e Marukatsu Megadrive.

Rieko Kodama – diretora/designer
Toru Yoshida – diretor, planejamento da história, designer gráfico
Kazuyoshi Tsugawa – planejador de batalha, designer gráfico
Akinori Nishiyama – designer, escritor do script

– Por favor compartilhe seus sentimentos conosco agora que o desenvolvimento de PSIV está quase completo.

Kodama: Haviam muitos rumores no escritório de que não conseguiríamos terminar o jogo até o fim do ano (risos), mas de alguma forma conseguimos.

Tudo está geralmente calmo agora. O manual de instruções foi terminado também. Foi um desenvolvimento longo. Agora podemos finalmente relaxar, meu cérebro é meio que uma geleia. (risos) A este ponto muito da pressão saiu dos nossos ombros, mas como nos movemos em direção à data de lançamento, há um novo tipo de stress. Eu vi o comercial para PSIV e fiquei tipo, “isso está mesmo certo…?” (risos)

Yoshida: Para mim, quando estava na metade, muito do visual das cenas ainda precisava ser completado. Realmente achei que nunca terminaria. Na verdade comecei a pensar em um plano de fuga para escapar da situação. (risos) Mas agora que cruzamos seguramente a linha final, estou grato que não fugi. Tudo que falta agora é a data de lançamento… apesar de eu estar um pouco preocupado com todos os outros grandes jogos saindo na mesma época. Para ser honesto estou apenas esperando que venda ok. Mas sim, de qualquer maneira estou muito aliviado neste momento.

Nishiyama: O tamanho grande da ROM fez as coisas mais difíceis.

Top to bottom Rieko Kodama (director), Yoshiaki Endo (main programmer), Daisuke Yamamoto (field event programmer), and Kazuyoshi Tsugawa (graphic designer).

De cima a baixo: Rieko Kodama (diretora), Yoshiyaki Endo (programador principal), Daisuke Yamamoto (programador de eventos de campo) e Kazuyoshi Tsugawa (designer gráfico)

Tsugawa: (risos) Era muito para gerenciar, mas não acho que fez as coisas mais difíceis, exatamente.

Kodama: O período mais difícil definitivamente foi transicionar o desenvolvimento de um cartucho de 16Mbits para um de 24Mbits. Ficamos preocupados se a Sega aprovaria a mudança. Entretanto, quando eles deram a aprovação, o ritmo ficou muito mais agressivo. (risos) No fim, nem estávamos seguros de que 24Mbits seriam suficientes! (risos) Mas fizemos o jogo que realmente queríamos fazer, e estou muito grato por isso.

– Como foi ser o líder do time de PSIV?

Kodama: Bem, eu sou o “líder do time”, mas de verdade isso não é grande coisa. Eu continuei a trabalhar nos gráficos para PSIV, do mesmo jeito que antes. Mas enquanto fazia isso, eu também coordenei o time de som, os designers gráficos e os programadores.

– Como se iniciou o desenvolvimento de PSIV?

Yoshida: Houve um bom timing: assim que começamos a pensar em fazer outro Phantasy Star, a Sega perguntou se faríamos outro. Depois disso eu percorri o escritório perguntando às pessoas se elas gostariam de trabalhar juntos nisso, e então o desenvolvimento oficial se iniciou.

Kodama: Isso é parte do motivo que esse desenvolvimento foi muito divertido, eu acho: nós (os desenvolvedores) começamos o projeto pela nossa própria inciativa e muitas pessoas no time haviam trabalhado em PSII e conseguiram melhorar os problemas e ideias inacabadas que tiveram daquele jogo em PSIV.

– Como o PSIV é conectado aos outros jogos da série?

Yoshida: É uma continuação direta dos dois primeiros jogos. PSIII foi meio que uma coleção de histórias laterais, mas com PSIV, estamos retornando à história principal com PSI e PSII formando o fundo histórico. Eu queria fazer mais um jogo onde você pudesse explorar todo o sistema solar e viajar de planeta a planeta.

Quando nosso time fez PSIII, estávamos exauridos, e não pudemos incluir tudo que tínhamos imaginado. Sentíamos que deixar a história em PSII, portanto, teria sido um desperdício, e foi assim que a ideia para PSIV começou.

Também, o sistema de animação de batalha de PSII ainda hoje se destaca, eu acho. Ele permitiu uma apresentação visual ótima, e novamente, pensamos que seria um desperdício não revisita-lo. Mas PSII e PSIII também tinham muitas falhas, queríamos consertar todas elas e fazer um jogo que os jogadores considerassem o Phantasy Star definitivo. Então sendo assim, também vimos PSIV como uma espécie de remake dos melhores elementos da série.

Toru Yoshida, like most of the PSIV devs, worked in a variety of roles co-director, graphic designer, and story writer.

Toru Yoshida, como muitos dos devs de PSIV, trabalhou em uma variedade de funções: co-diretor, designer gráfico e roteirista

– Quais foram algumas das coisas que vocês queria melhorar ou consertar?

Yoshida: Nos nossos planos de design, tentamos incluir as batalhas de veículo que não conseguimos fazer em PSII.

Kodama: Quando começamos o desenvolvimento de PSIV, eu disse que tínhamos absolutamente que fazer batalhas em veículos dessa vez! Eu só queria fazer se mover através do mapa mais divertido. É super conveniente para as pessoas que querem chegar ao próximo lugar, e se você prefere ganhar experiência, você sempre pode simplesmente andar. Os designs de veículos em si podem fazer você derramar uma lágrima de nostalgia também. (risos)

Yoshida: Com respeito aos personagens, o primeiro jogo tinha 4 personagens jogáveis, enquanto o PSII tinha 8, mas quando olhamos para esses personagens, pareceu a nós que a caracterização e psicologia deles era bastante rasa. Isso foi algo que queríamos mudar se fizéssemos outro Phantasy Star, dar aos personagens mais profundidade interior.

Nas nossas primeiras reuniões de equipe para PSIV, já tínhamos quatro dos personagens: Chaz, Rune, Rika e Wren. Eles eram os personagens “sucessores” dos protagonistas anteriores. Chaz, é claro, imaginamos como um descendente da Alis. Rika foi tipo um remake da Nei, Rune se conectava ao Noah (Lutz) e o Wren era como o Siren de PSIII.

Não começamos a trabalhar na história nem um pouco enquanto não tínhamos esses quatro personagens. Queríamos, é claro, mostrar aspectos únicos e diferentes das culturas dezoliana e motaviana, então fizemos o Raja e o Gryz. Eles também eram em parte nossas tentativas de remediar algumas reclamações de PSII, pode-se dizer.

Também, nunca realmente entendi a história pregressa da Nei de PSII, então pensamos muito nela enquanto desenvolvíamos PSIV. A Nei envelhece 1 ano em 1 mês, certo? Se esse é o caso, então ela iria atingir a idade de 12 em um ano, e rapidamente ela se tornaria incapaz de conviver com humanos. É por isso que quando fiz a Rika, para permitir a ela viver com os humanos, adicionei o fato de que quando ela atinge 20 anos de idade, o desenvolvimento dela retorna a um ritmo humano normal. Esse tipo de coisa – ajustes que fazem o mundo de Phantasy Star mais coeso como um todo – era o que eu queria fazer com PSIV.

Concept illustration for Rika, by designer Toru Yoshida.

Ilustração conceitual de Rika, pelo designer Toru Yoshida

– O que vocês podem nos dizer sobre a história de PSIV?

Yoshida: Um objetivo primário do desenvolvimento foi trazer à conclusão a saga e colocar tudo em ordem. Naturalmente queríamos faze-la divertida para novos jogadores, mas também quisemos levar os fãs que jogaram do PSI ao PSIII a experimentarem aquela sensação de revelação – “ah, então era tudo sobre isso!”

Kodama: Dessa vez, sabíamos que não queríamos ter um final sombrio como PSII e o PSIII. Os jogos anteriores terminaram de uma maneira que te deixava com muito para pensar, o que contribui para uma atmosfera sombria e pesada. É por isso que dessa vez miramos em um tradicional “final feliz”. Todo mundo no time agora cresceu com animes, entende, então talvez haja um pouco de influência disso.

– As dungeons 3D algum dia vão voltar a Phantasy Star?

Kodama: Sempre que você lança um novo hardware ou equipamento, os usuários vão ter altas expectativas. Por exemplo, com o Sega Master System, as dungeons 3D de Phantasy Star provavelmente tiveram muita atenção por essa razão. Eu sei que tivemos muitos requerimentos para adicionar as dungeons 3D de volta para os Phantasy Star do Mega Drive. Entretanto, os jogadores não ficariam satisfeitos com tecnologia da era Master System para dungeons 3D em um jogo de Mega Drive, e não fazia sentido com nossos planos de design também: tudo tem que ser rotacionável, pisos, tetos, etc., e isso consumiria muita memória.

De qualquer maneira, desenvolvimentos sempre tem que tentar puxar além do que os jogadores esperam. Por isso abandonamos a ideia do 3D para PSIV. Os primeiros jogos que desenvolvemos para Mega Drive, como Alex Kidd e Altered Beast, graficamente falando, é meio surpreendente olhar para trás e ver quantas falhas eles tem, mas ninguém estava acostumado a desenvolver para o Mega Drive lá atrás. Para ser honesto, não foi até Phantasy Star II que realmente ficamos competentes com as habilidades do Mega Drive – que é por isso, em certo sentido, que o jogo tem um alto nível de polimento técnico.

The cutscenes for Phantasy Star IV were meant to evoke manga panels. The large volume of drawings required apparently pushed artist Toru Yoshida to the edge.

As cenas de Phantasy Star IV devem evocar painéis de mangá. O alto volume de ilustrações necessárias aparentemente levou o artista Toru Yoshida ao limite.

– Vocês podem nos dizer alguma história por trás das cenas ou pano de fundo da confecção de PSIV?

Yoshida: Os motavianos sempre foram uma parte de Phantasy Star desde o primeiro jogo… você sabe os Jawas do Star Wars? Os motavianos foram inspirados por eles. Eles não foram mostrados muito claramente nos jogos prévios, mas pegamos algumas das suas características, como a propensão a colecionar lixo de PSII, e seu amor por criar coisas, e adicionamos um pouco mais de fundo para ajudar a incrementá-los.

Agora sabemos que eles vivem em comunidade, sem um líder designado. Devido à sua natureza animal, eles andam em bandos. Eles são mais conhecedores das coisas tecnológicas do que os parmianos, mas eles não precisam entender tudo disso. Há outros detalhes também, mas isso é o principal.

Kodama: Sobre as quests de caçador de recompensas, a pessoa que as projetou ama Sherlock Holmes, e os títulos que ele deu a elas são para evocar essas histórias.

– Que partes de Phantasy Star IV que você trabalhou de que tem mais orgulho?

Nishiyama: Eu fiz o diálogo, então provavelmente as partes engraçadas? Eu espero que os jogadores apreciem as partes frívolas que não são conectadas com a história de nenhuma maneira. (risos)

Kodama: Como o líder do time eu estive envolvido na maioria dos aspectos do desenvolvimento, mas o sistema de “multi-janelas” para as cutscenes foi a primeira coisa em que trabalhei, e realmente queria que os jogadores vissem aquilo. Yoshida criou uma quantidade inacreditável de imagens para ele, e certamente vai agradar aos jogadores.

Yoshida: Há algo que projetei especificamente para Phantasy Star IV. Queríamos faze-lo ter a sensação de layout de mangá, ao invés da apresentação típica de tela única de anime que se vê na maioria dos jogos.

Tsugawa: No que me toca, seriam as cenas de luta vistosas, e os chefes absurdamente difíceis.

– Eles são verdadeiramente tão difíceis?

Tsugawa: Eles são difíceis. Especialmente para pessoas que se tornaram muito confortáveis com jogos fáceis – eles podem te fazer querer socar a parede. (risos) Há muitos chefes que você tem que usar sua cabeça para vencer.

– Certo, mas se você subir de nível, vai ficar tudo bem…?

Tsugawa: Mesmo se você aumentar seus níveis, se você pressionar “Ataque” sem pensar, você ainda não vai vencer. Vai ser muito mais rápido se você pensar estrategicamente ao invés de apenas subir de nível.

– Por que vocês não incluíram uma opção de batalha automática em PSIV?

Kodama: Foi basicamente a preferência do programador que criou o sistema, e ele não gosta muito de batalhas automáticas. Elas fazem da experiência muito desconectada. Preferimos que os jogadores vejam as batalhas como “lutas reais”, e fiquem mais engajados em usar suas técnicas e habilidades.

Rieko Kodama holds forth on the finer points of RPG design.

Rieko Kodama fala sobre os principais pontos de design de RPG


Rieko Kodama – Comentário do desenvolvedor (1993)
do artigo “Nova Onda de RPGs” da revista Famicom Tsuushin

A primeira coisa  em que trabalhamos para PSIV foi solidificar os detalhes do mundo e o espaço. Pegue uma única vela, por exemplo: perguntamos a nós mesmos se seria algo que você encontraria nesse mundo. Há eletricidade? As janelas tem cortinas, ornamentos, tons…? Muitos detalhes como esse. Para os personagens, definimos muito das suas personalidades enquanto os desenhávamos. Com cada detalhe e pedaço de pano de fundo que adicionávamos aos personagens, a história em si se expandiu também. O mundo de Phantasy Star IV nasceu conosco incrementalmente.

Durante o jogo, entretanto, esses elementos de fundo não são feitos explícitos. Muito disso é mantido secreto de propósito, que é uma experiência que  queremos que os jogadores tenham. A série Phantasy Star se desenrola em um mundo diferente, em uma era diferente, então queremos os jogadores perguntando “O que será isso…?” enquanto jogam. Quando eles veem um androide pela primeira vez, queremos que eles perguntem, “o que no mundo é isso…?!”. É também por isso que nomeamos esse jogo “Phantasy Star: End of the Millenium” ao invés de “Phantasy Star IV”.

Acho que os RPGs recentes se tornaram muito fáceis de entender. Por exemplo, se você compra um Machado de Batalha  em uma loja, o jogo simplesmente vai te dizer que te dá “+20 poder”. Mas não gosto que tudo seja mostrado em números desse jeito. Para preservar a integridade e ilusão do mundo que construímos tão cuidadosamente, prefiro que os jogadores tenham a impressão da arma ser mais forte por que é feita de material mais forte. Mostramos pontos de vida, entretanto, um pouco para minha decepção.

Honestamente, se eu pudesse fazer do meu jeito, eu não usaria nenhuma linguagem humana para os nomes dos monstros, ou nomes das cidades e lugares. Quero dizer, Phantasy Star é a história de um mundo completamente diferente, certo? Mas é claro que para os jogadores não vai funcionar ter um jogo que é nada senão palavras sem sentido e ininteligíveis.

Eu acho que a inovação dos jogos Phantasy Star está primeiramente em termos de apresentação gráfica e visual. Entretanto, quando você considera que os RPGs se desenvolveram de jogos de mesa, e que os personagens lá só existem como algo nas mentes dos jogadores, então a perspectiva de que você não devia mostrar demais é correta também. Da minha parte, entretanto, acho que o principal apelo dos videogames é seu uso exagerado de som e visuais, e é isso que tentamos alcançar com a série Phantasy Star.

Akinori Nishiyama (designer, script), Rieko Kodama (director designer) Kazuyoshi Tsugawa (battle graphic designer).

Akinori Nishiyama (designer, script), Rieko Kodama (diretora, designer), Kazuyoshi Tsugawa (designer gráfico de batalha)

(mais…)

Vectorman – Entrevista com Richard Karpp 28 28America/Bahia janeiro 28America/Bahia 2018

Posted by bluepasj in ENTREVISTAS, Traduções.
Tags: , , , , ,
3 comments
Interview-Richard-Karpp-1

Richard Karpp

A BlueSky Software lançou vários exclusivos importantes para o Mega Drive, jogos como Starflight, Joe Montana, Jurassic Park e, mais importante, Vectorman. Essa é uma entrevista com o designer e programador da BlueSky, Richard Karpp.

A BlueSky fez alguns dos jogos mais polidos do Mega Drive, incluindo o fenomenal World Series Baseball, e foi bem prolífica durante a era 16-bits. Como era o ambiente na companhia nessa época?

Definitivamente houve um período em que acertávamos sempre. Depois das nossas tentativas iniciais de jogos para MD (fui programador chefe em Starflight e então em um jogo chamado Technoclash para a EA e Keith Freiheit era o programador-chefe em Jurassic Park), desenvolvemos uma engine que nos deu performance decente para sprites e muita flexibilidade com efeitos especiais. Essa engine nos permitiu produzir jogos mais rapidamente, então pudemos fazer muito mais experimentação.

Enquanto trabalhávamos nesses jogos, a atmosfera na companhia era muito excitante. Todos se juntavam e tentavam atingir a maior qualidade possível. Nem sempre conseguíamos, mas sabíamos que estávamos fazendo nosso melhor e era bem recompensador.

Me impressiona agora que fizemos tantos jogos para uma plataforma. Naqueles tempos, já que um jogo levava de dezoito meses a dois anos para produzir, só tínhamos a chance de trabalhar em dois ou três jogos em cada plataforma. Naquela época, trabalhei de alguma forma em pelo menos sete jogos de Mega Drive.

Vectorman é um favorito entre os fãs de MD. Como exatamente surgiu o conceito?

Tínhamos acabado de terminar Technoclash e estávamos nos perguntando o que fazer a seguir. Havia uma técnica usada em muitos jogos em que sprites individuais eram colocados juntos para formarem um personagem – era amplamente utilizada para coisas como dragões e chefes cobras. Alguns de nós tivemos a ideia de usar essa técnica no personagem principal e todos os personagens no jogo, se possível.

Uma vez que decidimos usar peças para construir personagens, um programador chamado Karl Robillard procurou usar sprites de esfera de vários tamanhos para criar um efeito 3D. Era muito legal, então planejamos usar apenas as esferas para construir nossos personagens, e usar 3D um pouco no gameplay. Até implementamos isso, mas não funcionou muito bem. Era visualmente bom, mas não conseguimos atingir 60 frames por segundo, então a jogabilidade não era boa.

Interview-Richard-Karpp-2Ao invés de usar apenas esferas, o Karl desenvolveu uma ferramenta que usava sprites arbitrários para construir o personagem, junto com um sistema de animação interpolada. Pudemos atingir 60 frames por segundo com isso, mas só tínhamos que guardar quadros-chave, então o uso de memória era razoável. Com isso funcionando, soubemos que era a maneira certa.

O conceito de design de jogo veio quando Mark Lorenzen, Jason Weesner e eu saímos por uns dias do escritório para pensarmos juntos. Eventualmente viemos com a ideia de robôs futurísticos, coletamento de lixo, etc. Era uma história meio bizarra, mas estávamos realmente procurando por algo para justificar a jogabilidade em que pensamos: um platformer rápido com múltiplas armas que focava em resposta imediata aos controles e animações fluidas. Então levamos à diretora criativa da BlueSky, Dana Christianson, e o jogo continuou daí.

Mais tarde no ciclo de desenvolvimento, estávamos tendo problemas em decidir que visual o Vectorman teria. Tínhamos construído muito do jogo, mas o personagem ainda não tinha surgido. Então pedimos ao Rick Schmitz que fizesse algumas artes conceituais e eventualmente escolhemos uma. Era basicamente a última peça do quebra-cabeças.

Os efeitos gráficos de VectorMan eram maravilhosos. Que truques especiais foram usados, se algum, para criá-los?

Como mencionei antes, o principal tema gráfico de Vectorman foi o sistema de animação por “peça de vetor” que nos permitiu mostrar movimento extremamente fluido construindo personagens de peças individuais.

Uma grande porcentagem das fases foram pensadas em volta de um “gancho tecnológico”, que era geralmente só alguma ideia louca que pensamos que podíamos fazer. Tipicamente envolvia usos criativos dos fundos movíveis do MD (backgrounds) – era possível especificar um alinhamento diferente para cada linha horizontal, por exemplo, ao qual podíamos dar um efeito parallax. Fizemos isso verticalmente em algumas fases, também, apesar da rolagem vertical ser limitada a trechos de 8 pixels. Usamos isso para as cataratas, por exemplo, e as esteiras transportadoras.

Os chefes foram todos feitos pensando no “gancho tecnológico” também. O primeiro chefe que você encontra no jogo, que parece um avião de combate, na verdade foi implementado na segunda camada, e usamos rolagem de linhas para fazer parecer que estava rotacionando.

Um dos efeitos mais sutis foi feito usando o modo de contraste (shadow/highlight) do Mega Drive, que permitia aos artistas usarem mais cores na tela do que os jogos tipicamente usavam. Apesar desse efeito restringir os artistas de algumas maneiras, acho que adicionou uma camada de polimento ao jogo.

A grande razão para a qualidade geral dos efeitos gráficos é o trabalho pesado que os artistas fizeram: Amber Long e o time dela de artistas de fundo fizeram um trabalho maravilhoso, assim como o Marty Davis e seus animadores.

Você não estava envolvido no desenvolvimento de VectorMan 2? Por que não?

Fiquei atarefado com outros projetos, então Keith Freiheit entrou como programador chefe em Vectorman 2. Trabalhei com Keith por muito tempo (na verdade, estou trabalhando com ele no momento), então confiei nele para fazer jus à reputação da série.

O que você acha do VectorMan que estava sendo feito para Playstation 2? Parecia fazer justiça ao original?

Interview-Richard-Karpp-3Só vi o Vectorman de PS2 rapidamente uma vez na E3, então não posso comentar sobre sua qualidade. Parecia estar indo em uma direção mais sombria e realista, o que não tem tanto apelo comigo. Acho que a excentricidade dos jogos originais é parte do charme deles. Entretanto, fico desapontado que o desenvolvimento tenha sido cancelado. Mesmo se não seguisse os passos do original, parecia ser um bom jogo que teria sido divertido de jogar.

Muitos jogos baseados em licença de filme acabam sendo bem ruins, mas Jurassic Park era divertido e manteve a sensação do filme. Como foi transformar um blockbuster em jogo? Você alguma vez se sentiu pressionado pelo sucesso impressionante do filme?

Tive um papel pequeno no desenvolvimento de Jurassic Park, mas me lembro que havia muita pressão para o jogo sair a tempo para o lançamento do filme. Eu também estava trabalhando em Technoclash na época, então tive que colocar muitas horas para ter certeza de que pudesse gerenciar minhas tarefas em ambos os jogos.

Minhas lembranças do projeto Jurassic Park se revolvem e torno de tentar fazer o jogo ficar pronto extremamente rápido. Sabíamos que havia muita coisa dependendo do jogo, por que teria uma campanha grande de marketing, e esperávamos que o filme fosse enorme, então olhamos para isso como uma grande oportunidade de colocar a BlueSky no mapa. Acho que fiz o trabalho, por que parece ser o jogo que a maioria das pessoas ainda lembra.

Starflight, do Greg Johnson, recebeu um port excelente no Mega Drive. Houve algum sacrifício feito durante o processo devido ao hardware?

Starflight era um ótimo jogo original, e tentamos nosso melhor para tudo caber em um cartucho de Mega Drive. Acredito que fomos capazes de colocar tudo no jogo por que o mapa das estrelas e geografia dos planetas eram gerados proceduralmente. A parte mais difícil foi colocar o texto alienígena, mas não me lembro de termos removido nada.

Starflight foi um projeto divertido por que estávamos ficando familiares com o hardware do Mega Drive, e foi legal conseguir portar um jogo existente. Não precisamos nos preocupar muito com problemas de design de jogo, já que estes já tinham sido trabalhados, então pudemos nos concentrar em aprender o máximo possível sobre o Mega Drive.

O jogo Technoclash era uma experiência bastante única. Houve planos para uma continuação?

Fico surpreso que alguém se lembra de Technoclash – pareceu sumir assim que foi lançado, apesar de ser um conceito legal e um jogo decente. Não me lembro de nenhuma discussão sobre uma continuação.

O jogo foi criado pelo Novak da Zono Inc. e trazido para a BlueSky desenvolver. Novak programou a IA do jogo, e eu programei todo o resto. Gostei do desenvolvimento de Technoclash bastante, por que Novak é um cara muito criativo, e trabalhar no jogo me deu inúmeras ideias que usamos para puxar os limites do Mega Drive mais tarde.

Você já sentiu desejo de revisitar alguns dos seus jogos prévios em uma plataforma moderna? Se sim, quais?

Adoraria ressuscitar VectorMan para uma plataforma da nova geração, mas não parece haver muito interesse em fazer isso. VectorMan é o jogo de que tenho mais orgulho, principalmente por que tem minha mão em muitos aspectos do desenvolvimento, para o bem ou para o mal.

Entretanto, não quero ficar preso ao passado. O Mega Drive era ótimo e a BlueSky Software era um lugar fantástico para trabalhar, mas a indústria seguiu em frente e trabalhar em jogos é tão excitante hoje em dia como era lá atrás.

Fonte: Sega-16