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Street Fighter II – Sobre a Produção do Port MD 27 27America/Bahia agosto 27America/Bahia 2018

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Nesse trecho da matéria do site Polygon, Street Fighter – Uma História Oral, pessoas importantes da Capcom comentam sobre como foi que o port de Street Fighter II Champion Edition para Mega Drive acabou acontecendo, quando a Capcom tinha uma relação muito firme com a competidora Nintendo.

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John Gillin (Diretor de Marketing da Capcom da América):
Lá no Japão, os executivos da Sega estavam cortejando os executivos da Capcom… havia drama por lá.. era difícil. Mas no fim a Capcom concordou em criar uma versão de Street Fighter para o Mega Drive. E ouvi que isso não fez os caras da Nintendo muito felizes.

IanRoseIan Rose (Conselheiro Geral da Capcom da América):
Havia uma relação muito próxima, ou uma relação razoavelmente próxima, entre a Capcom e a Nintendo… eu me lembro que o Tsujimoto veio com sua equipe na nossa direção na CES (em 1992, e) alguns de nós fomos até Seattle e visitamos a Nintendo, e passamos alguns dias com a Nintendo… Gastamos tempo na casa (do presidente da Nintendo da América, Minoru Arakawa); saímos para jantar com ele e tudo o mais. E era tudo sobre essas relações e quão importantes elas eram, eu acho, isso movia muito das conexões e decisões de negócios.

LaurieThortonLaurie Thornton (Gerente de Relações Públicas da Capcom da América):
Todos sabiam que a Capcom era a queridinha da Nintendo. A relação lá no Japão era bem próxima. Eu me lembro de precisar segurar informação sobre nossos planos específicos de lançamento e detalhes de plataformas enquanto muita negociação estava acontecendo por trás de portas fechadas.

JoeMoriciJoe Morici (Chefe de Jogos Para o Consumidor):
Eu gostaria de acreditar que fui bem instrumental em conseguir (que a Capcom do Japão) começasse a suportar o Mega Drive. Continuei pressionando por isso. Eu ia ao Japão todos os meses… a Capcom tinha uma casa de companhia. Nós nos encontrávamos todo o tempo e íamos lá para discutir o que estava acontecendo.

ScottSmithScott Smith (Gerente de Produtos da Capcom da América):
Eu sei que o Joe falou com a Sega no começo, e então finalmente conseguimos o OK do Japão tipo, “Sim, eles vão devotar recursos ao Mega Drive”. E fizemos uma conferência de imprensa depois de muito vai e vem, com a Sega no (hotel) Sofitel (em Redwood City, CA). Tivemos um café da manhã para a imprensa e coisas assim e anunciamos a parceria entre a Capcom e a Sega. Apesar de eu achar que a arte tinha um Megaman dando um aperto de mãos com o Sonic, obviamente o primeiro jogo iria ser Street Fighter 2: Champion Edition.

JoeMoriciJoe Morici: (A Capcom do Japão) ia fazer um time externo desenvolvê-lo. Eles não estavam fazendo isso dentro da Capcom. Era provavelmente a primavera daquele ano quando tinham uma versão de Street Fighter: Champion Edition que queriam que eu olhasse. E eles não estavam contentes com a qualidade do jogo no Japão.

AkiraNishitaniAkira Nishitani (Planejador da Capcom do Japão):
Eu me lembro de quando a versão do Mega Drive chegou. Eu chequei a ROM e basicamente disse, “Isso é terrível. Abandone tudo”.

JoeMoriciJoe Morici: Eu joguei e pensei: “É boa o suficiente para lançar”. E eu disse: “Se não lançarmos, e lançarmos contra Mortal Kombat no outono, (vamos estar com problemas). Eles estão gastando mais do que nós, fazendo mais propaganda do que nós com um jogo muito diferente de Street Fighter. Não são personagens cartunescos como Street Fighter; é mais realista. Devíamos lançar o jogo agora. Vamos ter quatro meses até Morta Kombat. Chegaremos ao mercado primeiro. Vamos matá-los”. Bem, eles escolheram esperar, e ir diretamente contra Mortal Kombat. Acho que lançamos (os jogos) com uma semana de diferença. Muitos dos pedidos que eu tinha estavam pendentes… acho que fiz pedidos para dois milhões de unidades, uma grande quantidade do produto estava vindo. E uma vez que é feito, você não pode cancelar a ordem. Está a caminho; está vindo. Então a esse ponto eu disse: “Bem, acho que estamos fazendo a decisão errada”. Eles discordaram de mim. Eu disse: “Ainda acho que estamos tomando a decisão errada”.

minamiTatsuya Minami (Planejador de Vários Ports para Console de Street Fighter):
Me lembro de ser os primórdios do desenvolvimento multiplataforma (com contratos e negociações que eram incomuns na época), por que haviam acordos com os fabricantes de hardware. Então se você pusesse na Nintendo aqui, então tinha que colocar no Mega Drive e no PC Engine nesse período ou estaríamos quebrando contratos, etc.

AkiraNishitaniAkira Nishitani: Depois que dissemos não para a versão produzida externamente, acabamos fazendo em casa. E a Capcom deixou o time usar 24 megs, quando normalmente só se podia usar 16. Então no fim fiquei feliz com o modo como terminou.

JoeMoriciJoe Morici: O Jogo vendeu bem. Não vendeu tanto quanto previmos, por que foi lançado junto com Mortal Kombat. Eles tiveram o Mortal Monday. Eles eram uma firma muito, muito boa em marketing; tenho que dar crédito a eles por isso. A jogabilidade em si não era, eu acho, tão boa quanto a de Street Fighter, mas tinham ótimo marketing.

Fonte: Polygon

Entrevista sobre Alien Soldier 20 20America/Bahia agosto 20America/Bahia 2018

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Alien Soldier Entrevista de 1995
com o programador, artista e diretor Hideyuki Suganami.

Alien Soldier é tipo meu bebê… não, tira isso, é meu bebê. E é tão bonitinho. Foi um nascimento difícil. No fim tivemos que fazer uma cesariana perigosa na mãe. Então é um nascimento prematuro…

Com Alien Soldier, eu queria fazer um jogo inteiro por mim mesmo: toda a programação, obviamente, e também todos os gráficos. O sistema de jogo é único e divertido, mas depois do desenvolvimento pensei em novas coisas que podia ter adicionado para fazê-lo ainda mais interessante. Se apenas eu tivesse gastado mais tempo na programação, eu podia ter feito as animações de ataque e chefes com sprites múltiplos mais realistas.
Escolher o Mega Drive, que era bem fraco comparado à nova geração de hardwares, foi como impor uma quantidade absurda de restrições em mim mesmo. Eu posso ter ficado um pouco cativado demais pela ideia geral de fazer um jogo de “tiro de ação”.

Mesmo quando o desenvolvimento de Alien Soldier terminou, minha visão idealizada dele continuou crescendo. Eu queria fazer um outro Alien Soldier. Esse é meu jogo. É meu trabalho. Eu quero completar a história que comecei. Eu queria programar tudo até o fim sozinho, e fazer toda a arte eu mesmo. Eu quero mostrar o processo de como o Epsilon 2 amadurece e se torna o Alien Soldier (soldado alien). O amor juvenil entre Kaede e Fou (o nome de Epsilon 2 quando estava em forma humana), uma Seven Force com sete transformações, ou talvez um chefe com cem transformações – não, até mil! – eu quero criar tudo isso. Talvez essas sejam coisas triviais desconectadas do centro essencial do jogo. É um pouco além do escopo de trabalho normal de um programador, mas não me importo. Eu quero fazer meu Alien Soldier ideal. Mas para ser honesto, por mais que eu ame essa encarnação da Seven Force mesmo tendo apenas cinco transformações, da mesma forma eu amo essa encarnação de Alien Soldier também.

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As cinco encarnações de Seven Force Kaede em Alien Soldier.

Alien Soldier. Em dois anos que trabalhei criando você, nunca me cansei de ti. Joguei minha vida no Mega Drive, e apostei tudo em Alien Soldier. O único que pode te amar por causa, e não apesar de, suas várias falhas, sou eu. O quê, é errado de um desenvolvedor dizer isso? Bem, eu quero dizer o que eu quero dizer. Não posso colocar tais coisas em meu jogo? Você pode confiar na auto-apreciação de um desenvolvedor? …Alien Soldier é meu. Não me importo se você acredita em mim! Estou sendo… estranho? Alien Soldier é minha amada, e estou loucamente apaixonado por ela. Andando, dormindo, só consigo pensar nela… “Hei, quem você pensa que é?!” Me chame de Excelentíssimo Nami.

(mais…)

Vectorman – Entrevista com Richard Karpp 28 28America/Bahia janeiro 28America/Bahia 2018

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Richard Karpp

A BlueSky Software lançou vários exclusivos importantes para o Mega Drive, jogos como Starflight, Joe Montana, Jurassic Park e, mais importante, Vectorman. Essa é uma entrevista com o designer e programador da BlueSky, Richard Karpp.

A BlueSky fez alguns dos jogos mais polidos do Mega Drive, incluindo o fenomenal World Series Baseball, e foi bem prolífica durante a era 16-bits. Como era o ambiente na companhia nessa época?

Definitivamente houve um período em que acertávamos sempre. Depois das nossas tentativas iniciais de jogos para MD (fui programador chefe em Starflight e então em um jogo chamado Technoclash para a EA e Keith Freiheit era o programador-chefe em Jurassic Park), desenvolvemos uma engine que nos deu performance decente para sprites e muita flexibilidade com efeitos especiais. Essa engine nos permitiu produzir jogos mais rapidamente, então pudemos fazer muito mais experimentação.

Enquanto trabalhávamos nesses jogos, a atmosfera na companhia era muito excitante. Todos se juntavam e tentavam atingir a maior qualidade possível. Nem sempre conseguíamos, mas sabíamos que estávamos fazendo nosso melhor e era bem recompensador.

Me impressiona agora que fizemos tantos jogos para uma plataforma. Naqueles tempos, já que um jogo levava de dezoito meses a dois anos para produzir, só tínhamos a chance de trabalhar em dois ou três jogos em cada plataforma. Naquela época, trabalhei de alguma forma em pelo menos sete jogos de Mega Drive.

Vectorman é um favorito entre os fãs de MD. Como exatamente surgiu o conceito?

Tínhamos acabado de terminar Technoclash e estávamos nos perguntando o que fazer a seguir. Havia uma técnica usada em muitos jogos em que sprites individuais eram colocados juntos para formarem um personagem – era amplamente utilizada para coisas como dragões e chefes cobras. Alguns de nós tivemos a ideia de usar essa técnica no personagem principal e todos os personagens no jogo, se possível.

Uma vez que decidimos usar peças para construir personagens, um programador chamado Karl Robillard procurou usar sprites de esfera de vários tamanhos para criar um efeito 3D. Era muito legal, então planejamos usar apenas as esferas para construir nossos personagens, e usar 3D um pouco no gameplay. Até implementamos isso, mas não funcionou muito bem. Era visualmente bom, mas não conseguimos atingir 60 frames por segundo, então a jogabilidade não era boa.

Interview-Richard-Karpp-2Ao invés de usar apenas esferas, o Karl desenvolveu uma ferramenta que usava sprites arbitrários para construir o personagem, junto com um sistema de animação interpolada. Pudemos atingir 60 frames por segundo com isso, mas só tínhamos que guardar quadros-chave, então o uso de memória era razoável. Com isso funcionando, soubemos que era a maneira certa.

O conceito de design de jogo veio quando Mark Lorenzen, Jason Weesner e eu saímos por uns dias do escritório para pensarmos juntos. Eventualmente viemos com a ideia de robôs futurísticos, coletamento de lixo, etc. Era uma história meio bizarra, mas estávamos realmente procurando por algo para justificar a jogabilidade em que pensamos: um platformer rápido com múltiplas armas que focava em resposta imediata aos controles e animações fluidas. Então levamos à diretora criativa da BlueSky, Dana Christianson, e o jogo continuou daí.

Mais tarde no ciclo de desenvolvimento, estávamos tendo problemas em decidir que visual o Vectorman teria. Tínhamos construído muito do jogo, mas o personagem ainda não tinha surgido. Então pedimos ao Rick Schmitz que fizesse algumas artes conceituais e eventualmente escolhemos uma. Era basicamente a última peça do quebra-cabeças.

Os efeitos gráficos de VectorMan eram maravilhosos. Que truques especiais foram usados, se algum, para criá-los?

Como mencionei antes, o principal tema gráfico de Vectorman foi o sistema de animação por “peça de vetor” que nos permitiu mostrar movimento extremamente fluido construindo personagens de peças individuais.

Uma grande porcentagem das fases foram pensadas em volta de um “gancho tecnológico”, que era geralmente só alguma ideia louca que pensamos que podíamos fazer. Tipicamente envolvia usos criativos dos fundos movíveis do MD (backgrounds) – era possível especificar um alinhamento diferente para cada linha horizontal, por exemplo, ao qual podíamos dar um efeito parallax. Fizemos isso verticalmente em algumas fases, também, apesar da rolagem vertical ser limitada a trechos de 8 pixels. Usamos isso para as cataratas, por exemplo, e as esteiras transportadoras.

Os chefes foram todos feitos pensando no “gancho tecnológico” também. O primeiro chefe que você encontra no jogo, que parece um avião de combate, na verdade foi implementado na segunda camada, e usamos rolagem de linhas para fazer parecer que estava rotacionando.

Um dos efeitos mais sutis foi feito usando o modo de contraste (shadow/highlight) do Mega Drive, que permitia aos artistas usarem mais cores na tela do que os jogos tipicamente usavam. Apesar desse efeito restringir os artistas de algumas maneiras, acho que adicionou uma camada de polimento ao jogo.

A grande razão para a qualidade geral dos efeitos gráficos é o trabalho pesado que os artistas fizeram: Amber Long e o time dela de artistas de fundo fizeram um trabalho maravilhoso, assim como o Marty Davis e seus animadores.

Você não estava envolvido no desenvolvimento de VectorMan 2? Por que não?

Fiquei atarefado com outros projetos, então Keith Freiheit entrou como programador chefe em Vectorman 2. Trabalhei com Keith por muito tempo (na verdade, estou trabalhando com ele no momento), então confiei nele para fazer jus à reputação da série.

O que você acha do VectorMan que estava sendo feito para Playstation 2? Parecia fazer justiça ao original?

Interview-Richard-Karpp-3Só vi o Vectorman de PS2 rapidamente uma vez na E3, então não posso comentar sobre sua qualidade. Parecia estar indo em uma direção mais sombria e realista, o que não tem tanto apelo comigo. Acho que a excentricidade dos jogos originais é parte do charme deles. Entretanto, fico desapontado que o desenvolvimento tenha sido cancelado. Mesmo se não seguisse os passos do original, parecia ser um bom jogo que teria sido divertido de jogar.

Muitos jogos baseados em licença de filme acabam sendo bem ruins, mas Jurassic Park era divertido e manteve a sensação do filme. Como foi transformar um blockbuster em jogo? Você alguma vez se sentiu pressionado pelo sucesso impressionante do filme?

Tive um papel pequeno no desenvolvimento de Jurassic Park, mas me lembro que havia muita pressão para o jogo sair a tempo para o lançamento do filme. Eu também estava trabalhando em Technoclash na época, então tive que colocar muitas horas para ter certeza de que pudesse gerenciar minhas tarefas em ambos os jogos.

Minhas lembranças do projeto Jurassic Park se revolvem e torno de tentar fazer o jogo ficar pronto extremamente rápido. Sabíamos que havia muita coisa dependendo do jogo, por que teria uma campanha grande de marketing, e esperávamos que o filme fosse enorme, então olhamos para isso como uma grande oportunidade de colocar a BlueSky no mapa. Acho que fiz o trabalho, por que parece ser o jogo que a maioria das pessoas ainda lembra.

Starflight, do Greg Johnson, recebeu um port excelente no Mega Drive. Houve algum sacrifício feito durante o processo devido ao hardware?

Starflight era um ótimo jogo original, e tentamos nosso melhor para tudo caber em um cartucho de Mega Drive. Acredito que fomos capazes de colocar tudo no jogo por que o mapa das estrelas e geografia dos planetas eram gerados proceduralmente. A parte mais difícil foi colocar o texto alienígena, mas não me lembro de termos removido nada.

Starflight foi um projeto divertido por que estávamos ficando familiares com o hardware do Mega Drive, e foi legal conseguir portar um jogo existente. Não precisamos nos preocupar muito com problemas de design de jogo, já que estes já tinham sido trabalhados, então pudemos nos concentrar em aprender o máximo possível sobre o Mega Drive.

O jogo Technoclash era uma experiência bastante única. Houve planos para uma continuação?

Fico surpreso que alguém se lembra de Technoclash – pareceu sumir assim que foi lançado, apesar de ser um conceito legal e um jogo decente. Não me lembro de nenhuma discussão sobre uma continuação.

O jogo foi criado pelo Novak da Zono Inc. e trazido para a BlueSky desenvolver. Novak programou a IA do jogo, e eu programei todo o resto. Gostei do desenvolvimento de Technoclash bastante, por que Novak é um cara muito criativo, e trabalhar no jogo me deu inúmeras ideias que usamos para puxar os limites do Mega Drive mais tarde.

Você já sentiu desejo de revisitar alguns dos seus jogos prévios em uma plataforma moderna? Se sim, quais?

Adoraria ressuscitar VectorMan para uma plataforma da nova geração, mas não parece haver muito interesse em fazer isso. VectorMan é o jogo de que tenho mais orgulho, principalmente por que tem minha mão em muitos aspectos do desenvolvimento, para o bem ou para o mal.

Entretanto, não quero ficar preso ao passado. O Mega Drive era ótimo e a BlueSky Software era um lugar fantástico para trabalhar, mas a indústria seguiu em frente e trabalhar em jogos é tão excitante hoje em dia como era lá atrás.

Fonte: Sega-16

 

Sobre a Produção da Série Road Rash 17 17America/Bahia dezembro 17America/Bahia 2017

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RENEGADOS“Na época, a EA não estava de verdade no negócio de jogos caseiros”, começa Randy Breen, produtor de Road Rash. “Eles tinham feito alguns jogos de NES, mas acho que é sabido que haviam conflitos internos sobre o apetite deles em se mover para os consoles. Na época, a memória do crash do Atari era ainda muito presente, então a maior parte do foco da companhia estava nos jogos de computador”.

Nos anos posteriores ao famoso crash, a EA tinha começado a dar passos em direção ao mercado de jogos de console, principalmente nas categorias que a companhia identificava como, de acordo com Randy, “estratégicas” e nas quais podiam “ter o mercado”.  Essas áreas eram esportes, o que incluía o recentemente lançado John Madden Football no Apple II, Commodore 64 e DOS, e também corrida, que levou ao desenvolvimento preliminar de um jogo chamado Mario Andretti Racing no NES. Durante a criação desse problemático jogo, o programador-chefe Dan Geisler foi trazido a bordo, e logo ficou óbvio que o jogo estava indo na direção errada.

arte conceitual personagens road rash 3

Artes conceituais para personagens de Road Rash 3

“O produtor [Randy Breen] que estava naquele projeto [Mario Andretti Racing] tinha acabado de terminar o Madden e também fez Indianapolis 500 no Amiga e DOS”, Dan elabora. “Era um jogo básico de simulação, provavelmente o tipo mais entediante de corrida que se podia ter. Dirigindo sem fim na mesma p***a de pista por 800 quilômetros, e em tempo real. Você está brincando comigo? Além disso era um simulador, então você não vai poder cair. Se você cair, é isso, perdeu a corrida!”

Mario Andretti Racing iria seguir uma fórmula similar, mas Dan, junto com Randy e o resto dos desenvolvedores Carl May e Walt Stein, começaram a pensar em um tipo diferente de jogo de corrida, um que não necessariamente aderia (possivelmente alienava) ao realismo. O Carl e o Dan se livraram de quadriciclos como possíveis veículos de corrida (por causa do cenário de Andretti Racing), enquanto o Andy, que era um entusiasta de Café Racing e da fórmula 1, sugeriu motos. Dan diz que ele dirigia uma moto à época, e isso o levou a formular o título da franquia. “Eu tinha feito uma viagem a Los Angeles para ver alguns amigos”, ele lembra. “Dirigi na Mulholand Drive e pensei, ‘cara, se você cair aqui, você vai conseguir um belo arranhado da pista [road rash]’, que é algo que já tive no passado”.

Então Dan sugeriu Road Rash on Mulholand Drive como um nome possível, que o Randy usou para apresentar o jogo aos executivos da EA. O nome eventualmente foi diminuído para Road Rash, e com o novo nome veio uma nova direção, que deixava pra lá a simulação em prol de algo mais acessível. O desenvolvimento se moveu do NES para o Mega Drive.

Dan não era estranho aos jogos de direção, já que antes de se juntar à EA ele trabalhou em um dos primeiros, senão o primeiro, jogo de direção de mundo aberto: Spectrum HoloByte’s Vettel para Mac e DOS. Sua codificação naquele título pioneiro formaria a base de trabalho do novo jogo de corrida.

“Eu mapeei toda a cidade de San Francisco com postes de luz e toda acurácia”, Dan diz. “Mas havia um problema com San Francisco – parece uma grade, exceto pelas autoestradas que cortam. Então criei uma estrutura de dados para representa-las. Usei um algoritmo para estimar a curvatura da pista, e isso acabou se tornando a base para Road Rash”.

O jogo acabaria incluindo locações e pistas na Califórnia. “Usei a estrutura de dados que estive sonhando enquanto estava no chuveiro e a aperfeiçoei”, Dan rememora. “Com a memória do Mega Drive, eu podia ter feito 1290 quilômetros de pistas únicas… eu teria mapeado toda a costa da Califórnia com fidelidade”.

Também trazido para o time depois que o projeto estava em andamento foi Arthur Koch, que preencheu o papel não-oficial de artista-chefe. “Acabei ficando envolvido em quase todos os aspectos do jogo”, ele diz. “Um dos problemas era que tudo tinha que caber em uma paleta de 64 cores, o que era difícil para muitos artistas entenderem. Então eu pegava toda a arte para conformá-la aos requerimentos técnicos e treinava o pessoal nas ferramentas da casa”.

De acordo com Randy, uma grande porção do desenvolvimento inicial foi devotada quase inteiramente a conseguir visual sólido de direção. “Levei aproximadamente seis meses para conseguir um bom efeito de pista”, Dan adiciona. “E quando finalmente consegui acertar esse efeito de pista, as pessoas viram e entenderam, e pensei ‘Ah, é isso. Funciona’. Está melhorado na versão final, mas consegui umas colinas maravilhosas naquela primeira iteração”.

Também diferente naquela primeira versão era a física flutuante das motos, que acabou sendo motivo de discórdia com a gerência. Ainda assim, Dan convenceu os chefes a darem mais licença artística a ele. “Era um tipo de tensão”, Arthur adiciona. “Me lembro de algumas reuniões a portas fechadas acontecendo [com a gerência]. Eu não pude ouvir exatamente o que estavam dizendo, mas estavam falando bem alto, e não estavam concordando”.

Road Rash se recusava a ser um jogo de corrida ordinário. Policiais, que iriam perseguir os jogadores e prendê-los se eles batessem, foram adicionados para tensão extra. “Fui ao departamento de polícia e falei com esse policial de moto para posar para fotos”. Arthur diz, lembrando um tempo antes das pesquisas por imagens no Google. “Acho estranho que eles até me deixaram fazer isso. Duvido que hoje em dia eu pudesse convencer um policial a me dar uma hora e posar para algumas fotografias!”

Road Rash ir além dos limites foi solidificado dando aos jogadores a habilidade de atacar outros corredores. A introdução de combate, que era parte do conceito original do Andy “como uma forma de entretenimento”, iria efetivamente deixar o jogo sem lugar designado nas prateleiras das lojas. Como Dean aponta, esse problema criou um enigma para a equipe de marketing da EA.

“Então estou fazendo todos os efeitos de pista, enquanto isso o Randy está lutando as batalhas com a gerência. A EA é muito movida a marketing e vendas, eles ficam desconfortáveis se não conseguem especificar bem alguma coisa. É um jogo de motocicletas? É um jogo de luta? Bem, era um jogo de luta e corrida, mas antes disso, nunca havia jogos nesse gênero”.

“O primeiro jogo foi confuso para todos”, Arthur adiciona. “O marketing realmente não sabia onde coloca-lo, por que se aproximava de uma simulação de motocicletas, e então nós adicionamos combate, mas os produtores eram caras de simulação. Dan e eu viemos dos arcades e da ação, então havia uma briga entre o time de desenvolvimento, os produtores, o marketing e os executivos sobre como identificar o jogo e como descrever o que o jogo era”.

Para Dan, o jogo era especial. “Hang-On antes de nós era um jogo que eu gostava, mas achei que era limitado – sem colinas, nem socos, nem chutes. Eu respeito o Yu Suzuki, mas tinha na minha mente que isso faria o Hang-On obsoleto. E acho que meio que conseguimos isso.”

Apesar de Road Rash estar há apenas alguns meses em desenvolvimento, a EA queria promover o jogo na próxima CES como uma mostra de suporte ao Mega Drive, um prospecto com o qual o time não estava exatamente entusiasmado. Como esperado, não foi tão bem e teve que ser apresentado outras duas vezes à gerência para evitar ser cancelado. Depois de extensivos um ano e meio de desenvolvimento, Road Rash foi lançado no outono de 1991, e foi o título mais rendável da EA até então.

Antes do fim do natal de 1991, a editora tinha se compromissado a fazer uma continuação, e agora que o novo gênero tinha sido estabelecido havia muito menos conflito interno sobre seu lugar no mercado. “O marketing não sabia que m***a  era Road Rash, mas amaram a continuação”, Dan revela. “Uma vez que sabiam que o novo gênero tinha sido criado, estavam por toda parte”.

O tempo para terminar a sequencia de Road Rash foi curto, mas pelo menos o time estava começando com a base pronta. “Nós já tínhamos feito uma extensão do primeiro”, Dan diz. “A EA pediu por isso em um ano e levou um ano e meio. É claro, a EA queria [Road Rash 2] para o  próximo natal, e era bem ousado conseguir tudo pronto. No primeiro jogo, gastamos muito tempo na tecnologia, só conseguindo as ferramentas e fazendo ficar certo e funcionar em conjunto. Mas com a continuação tínhamos tudo isso do começo, então pudemos focar na jogabilidade, nas armas e então em melhorar os personagens e animações”.

Foi decidido que Road Rash 2 deixaria a Califórnia para explorar o resto dos Estados Unidos continentais, com pistas em Arizona, Vermont, Tennessee, Alasca e Havaí. “Eu estava tentando manter uma certa progressão através da fantasia do produto”, diz Randy, “que era que o primeiro Road Rash era uma coisa baseada nas raízes. Aconteceu localmente e  as pessoas realizariam essas corridas em segredo e fariam elas em estradas escondidas onde ninguém sabia sobre elas – tipo Clube da Luta. E eles gradualmente expandiram”.

“Elas eram baseadas em locações reais”, Arthur adiciona sobre as pistas. “Alguns dos artistas basicamente reduziram as cores de uma foto, enquanto outros de nós só pegávamos [uma foto] como referência e desenhávamos no computador”.

A continuação também adicionou um menu mais enxuto, mecânica de nitro para as motos e uma corrente como segunda arma. “Para o movimento da corrente, eu na verdade peguei um vídeo de mim mesmo”, Arthur diz. “Foi para que eu pudesse ir frame a frame através dos movimentos e entender as mecânicas do corpo por trás da animação”.

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Artes conceituais de diferentes versões da tela de seleção de pistas

Mas Road Rash 2 não simplesmente introduziu novos conteúdos; completamente melhoraram o modo multiplayer por turnos do primeiro jogo em algo que duas pessoas podem jogar simultaneamente. “Essencialmente o jogo principal era a mesma engine, mas a grande nova tecnologia era o multiplayer em tela dividida, que adicionava toda uma nova dimensão”, Dan explica.  “E foi difícil. Gastei aproximadamente três meses fazendo apenas isso”. E Arthur adiciona que eles estavam puxando o Mega Drive substancialmente. “Punha mais limitações em nós por que estávamos mostrando o dobro de coisas na tela, e isso diminuía o framerate, o que tirava da jogabilidade. A parte difícil sobre o primeiro jogo era ir aos artistas e dizer a eles que eles não podiam ter muita arte na tela de uma vez. Mas no segundo jogo, a tela divida fez as coisas ainda mais limitadas”.

Também novas em Road Rash eram as charmosas cenas que tocariam no fim das corridas. Por exemplo, se os policiais pegassem um jogador, eles iriam jogá-lo no porta-malas de um carro de policia, ou se um jogador não chegasse ao pódio , uma mulher velha bateria nele com uma corrente. “Nós demos início a essa ideia de uma sequencia cinematográfica como uma recompensa pela sua performance”, Arthur diz. “Eu tive que fazê-las em baixa resolução  para caber na memória. [Os personagens] eram o que nos referimos como ‘pequenos caras’. Eles eram animações de dez pixels, e mal havia storyboards delas”. Outra notável inclusão a Road Rash 2 foi algo pioneiro na era pré-classificação indicativa. A lei agora podia tomar dano e também lutar de volta, enquanto no primeiro jogo eles eram imunes aos ataques do jogador e só podiam empurrar outros jogadores com as motos.

“Road Rash 2 foi o primeiro jogo em que você podia verdadeiramente bater, e apanhar, de um policial”, Arthur diz. “Foi bem controverso na época, por que foi quando o Rodney King foi espancado, e isso foi a primeira vez que o público americano tinha realmente visto brutalidade policial. A EA também tinha uma política ‘sem sangue’, então eles realmente tentavam se afastar da violência nos jogos. Nós na verdade não sabíamos se devíamos ou não manter isso no jogo”.

Mas nem tudo mudou na continuação. Retornando em Road Rash estavam as quedas. “Desde o primeiro jogo, fazer as batidas serem legais era parte do foco”, diz Randy. “Estávamos fazendo referência ao Papa-Léguas e outros cartoons onde o vilão apanha. Apesar de te atrapalhar, era divertido de assistir”. Arthur, que criou as batidas, adiciona informações sobre sua origem. “Eu trabalhei em Madden Football e Lakers vs. Celtics, e estava desapontado com os tackles e as quedas e as faltas”, ele diz. “Pensei que podíamos ser muito mais dinâmicos. Então sugeri que devotássemos mais frames de animação às quedas”.

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O time original de Road Rash

Road Rash 2 foi lançado em 1993 e, de acordo com Randy, vendeu mais que o original. Mas, como Dan explica, o sinal verde para Road Rash 3 não era exatamente certeza. “Havia uma lacuna entre Road Rash 2 e 3, por que, bem, vamos dizer que eu não fui devidamente recompensado e estava deixando a companhia depois de Road Rash 2″, ele revela. “Eles queriam que eu fizesse Road Rash , mas eu realmente pensei que tínhamos ido com a tecnologia o mais longe que pudemos e não havia muito mais a oferecer. Aceitei uma oferta da Crystal Dynamics e a EA estava tentando me trazer de volta. Eu disse ‘olha, eu não ganhei nada por esse primeiro ou esse, então se vou voltar, eu quero essa quantia de cara’. E eles concordaram. Vou te dizer, entretanto, não foi o suficiente para comprar um par de motos, e definitivamente não pagou meu aluguel”.

Uma vez de volta à EA, Dan foi colocado em um time com a nova designer Amy Hennig trabalhando em um jogo do Michael Jordan. O projeto acabou não sendo o certo para Dan, ou como ele mesmo diz, “simplesmente não havia a sincronia necessária ao time”. Então, depois daquela frustração, veio o princípio de Road Rash 3.

“Um dia eu estava um pouco chateado, me encontrei com Bing Gordon [VP de marketing] e disse ‘Você quer Road Rash 3?’, e ele disse ‘Você quer fazê-lo?’ e eu disse ‘Sim, acho que podemos fazer mais rápido do que faríamos esse outro jogo, e bateremos eles no mercado e eles vão para a seção de descontos e nós vamos para o topo dos gráficos’, então ele disse ‘Tudo bem, vou pegar seu time’”.

Recrutado da Cinemaware especificamente para o time em questão foi Michael Hulme, um artista de videogame com experiência em animação tradicional com a Disney (Darkwing Duck e Tico e Teco e o Taz da Warner). “Eles me sentaram e disseram, ‘A diretoria está dizendo que esse vai ser o último jogo da EA para Mega Drive, então tudo que você tiver aprendido, qualquer truque, qualquer técnica – jogue dentro!’ Eu tinha jogado Road Rash e Road Rash 2, então foi só uma questão de saber a história e olhar para isso e pensar ‘Como podemos melhorar isso? Como podemos fazer sentir que é parte da mesma linhagem, mas realmente leva-lo a um lugar que as pessoas não viram antes?’”.

Já que o Mega Drive tinha relativamente chegado ao limite em termos de tecnologia e o marketing queria uma “grande nova característica”, foi sugerido que o terceiro jogo fosse ao redor do mundo com seus locais, levando os jogadores a novas pistas na Austrália, Quênia, Japão, Itália , Brasil, Alemanha e o Reino Unido. “Eu pintei muito do estilo conceitual dos diferentes países”, Michael lembra. “As pinturas eram conceitos brutos. Eles eram coisas rápidas como storyboards, e em quatro dias eu tinha feito dez pinturas. Tentei ter uma paleta diferente para cada locação para que sentissem diferentes. Eram dez originalmente, e então diminuímos para sete no fim”.

time original de road rash, em 2007

Novamente o time original de Road Rash, em reunião em 2007

Também estrearam nessa iteração novas armas como uma clava, um pé-de-cabra e até uma vara de gado,e o jogador podia manter tudo entre as corridas, um primeiro para a série. Mas talvez mais interessante de tudo é o fato de que o jogo estava sendo desenvolvido em paralelo com o Road Rash do 3DO. Os títulos compartilharam recursos de desenvolvimento e, como Randy coloca, o Road Rash 3 era um ‘produto híbrido’.

“Road Rash 3 estava acontecendo em um momento interessante”, ele continua. “Estávamos começando a olhar para o 3DO, e estávamos olhando para outras técnicas para criar recursos. Também estávamos olhando para o Sega CD. Se tornou um produto de ponta em um nível entre o Road Rash no Mega Drive e o Road Rash no 3DO, que foi desenvolvido por um time diferente. Eu estava trazendo algumas ideias e técnicas em ambas as direções”.

Uma dessas ideias compartilhadas foi o conceito de motociclistas digitalizados, uma característica que foi trazida pela enchente de novos consoles e tecnologias. “Em 1995, o primeiro Playstation estava aparecendo”, Dan lembra, “e a Panasonic vinha a cada seis meses com o CDi, falando sobre como tudo iria ser um filme interativo. Então a EA queria ir com a aparência mais cinematográfica”.

O 3DO era um hardware da próxima geração e podia lidar com personagens renderizados com relativa facilidade, mas colocar essas mesmas imagens no envelhecido Mega Drive foi um desafio. “Os recursos do 3DO tiveram que ser reutilizados dramaticamente para o Mega Drive”, diz Randy. “Efetivamente, o que tínhamos arrumado era um motociclista de manobras local no estúdio, e ele estava vestido com o que era basicamente codificado em cores para que pudéssemos separá-lo de uma tela verde. Então os artistas rearranjariam essas imagens, retocariam e definiriam como fazê-las trabalharem no Mega Drive”.

Também há que se notar que os personagens no jogo falariam com o jogador entre as corridas, eles eram todos empregados da EA. “A maioria deles eram pessoas do time”, Michael diz, “Nos vestimos como esses personagens diferentes baseados nas locações das fases e um fotógrafo veio. Foi divertido! Randy tinha uma moto de luxo e a usamos para muitas das fotos”.

Road Rash 3 foi lançado em 1995 e, como Randy diz, vendeu mais que ambos o primeiro e o segundo jogos. “A EA hospedou esse evento de lançamento nos seus estúdios  e trouxe a imprensa e tudo o mais”, Michael se lembra. “Eu não sei quanto dinheiro eles gastaram, mas eles encheram essa sala com motocicletas. Eles trouxeram palmeiras para a fase no Brasil, e me fizeram fazer um design para camisetas customizadas de Road Rash 3”.

Então, com isso, a trilogia original chegou ao final. É claro que a série acabaria chegando a outras plataformas, mas é discutível que a faísca original nunca foi recriada. “Me dá a maior felicidade ver pessoas ainda aproveitando os jogos e tendo memórias tão queridas”, termina Dan. “Road Rash apareceu no Reddit esses dias, e foi muito legal ver quantas pessoas tinham memórias maravilhosas com seu irmão, seus amigos ou seu pai com o qual raramente passavam tempo. A realização de quantas vidas foram enriquecidas por essa série – é uma coisa verdadeiramente mágica”. (mais…)

Entrevistas – Comix Zone 10 10America/Bahia novembro 10America/Bahia 2017

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A história de Comix Zone começa com Peter Morawiec, um artista do leste da Europa contratado para trabalhar na Sega Technical Institute (STI) na América em 1991. O novo estúdio foi criado numa conjunção entre a Sega of America e o Sonic Team japonês, para que o talento japonês pudesse tutorar desenvolvedores ocidentais. A primeira tarefa de Morawiec dentro do estúdio era criar a arte para os altamente impressionantes estágios especiais de Sonic the Hedgehog 2, mas no ano seguinte ele já tinha graduado para a posição de designer de jogo em Sonic Spinball.

Durante o desenvolvimento de Spinball, Morawiec preparou o design para um projeto totalmente original para Mega Drive, que, de acordo com o gerente do STI, Roger Hector, foi uma das melhores apresentações que a companhia já havia visto. “Peter veio a mim um dia e queria mostrar um vídeo que ele fez”, se lembra Hector. “Era a animação que ele havia criado para ilustrar um conceito de jogo onde o jogador precisa resolver cada quadro de um gibi literal, página a página. Ele fez um trabalho tão impressionante na ideia original e ilustrou tão belamente sem deixar de ser altamente animado e com música de fundo. Foi fantástico. Facilmente a melhor apresentação de conceito de jogo que já vi. Não havia dúvida, depois de ver, que a STI tinha que fazer esse jogo”.
Morawiec explica o processo que levou a seu vídeo conceito. “Crescendo no leste da Europa, eu amava qualquer coisa que fosse filtrada pelos gibis ocidentais – Asterix e Obelix, Os Smurfs, e a lista continua. Mas foi só depois que vim para os Estados Unidos que descobrir todos os gibis e graphic novels para jovens adultos. Muito disso foi devido a meus colegas de trabalho na Sega que eram ardentes fãs de gibis. A ideia de fazer um jogo com tema de gibi veio a mim enquanto eu examinava os corredores de uma loja de gibis em Palo Alto com aqueles colegas da Sega em uma pausa para o almoço. Percebi que, juntando essas duas formas populares de mídia, podia criar algo muito legal e único. Então criei uma demonstração animada no meu Amiga e mostrei para a gerência. Eles deram a confirmação mas só depois de Sonic Spinball nos deram aprovação oficial”.

 

O vídeo do conceito original de Comix Zone (acima), assim como os designs de fase desenhados a mão, revela que o jogo final diferia pouco da ideia inicial. Quase tudo daqueles designs originais está presente e funciona perfeitamente, fazendo do jogo um dos mais divertidos e originais beat ‘em ups do Mega Drive. Para aqueles que não jogaram Comix Zone, permita-me explicar sua genialidade. O jogador controla Sketch Turner, um artista que foi transportado para as páginas de seu próprio gibi pelo supervilão que ele criou. Dentro dos limites físicos do gibi, o Sketch precisa fisicamente se mover através de cada painel e cada página, lutando com suas próprias criações e resolvendo puzzles especiais enquanto prossegue. Além de demostrar um sistema de lutas bastante sólido, Comix Zone realmente se destacou devido ao design de fases inventivo. Sketch podia se mover através dos painéis em uma variedade de maneiras, pulando através das bordas de cada imagem, rasgando através delas ou caindo para a de baixo, o que adicionava um elemento não-linear e um pouco de fator replay ao jogo. Foi tão bem feito que o jogador realmente se sentia como se estivesse preso dentro de um gibi lutando através de cada página. Uma camada adicional de profundidade também foi adicionada na habilidade de arrancar partes das páginas. Sketch podia tirar um pedaço da página de fundo, dobrar em um avião de papel para ser jogado nos inimigos enquanto seu rato de estimação, Roadkill, podia farejar e descobrir powerups escondidos detrás das páginas.

Roadkill também podia ser usado para resolver alguns puzzles já que seu tamanho pequeno permitia que ele entrasse em áreas de difícil acesso e ativasse alavancas. Para a maioria dos jogadores de Comix Zone ele se tornou uma parte essencial da jogabilidade e um amado recurso do jogo. Para um elemento tão importante, entretanto, ninguém parece saber exatamente a quem creditar essa ideia. “Para ser honesto, não me lembro com exatidão”, diz Morawiec. “Éramos um grupo muito próximo e muitas vezes pensávamos juntos. Personagens ajudantes eram basicamente uma necessidade naquele tempo, mas eu estava procurando por um ajudante que não ficasse no caminho do personagem principal. Acho que foi o Drossin (o compositor) ou eu quem teve a ideia do rato, combinava com os requerimentos e era um bicho que combinava com o Sketch, que era um cara bruto do tipo grunge-rocker”. Não importa quem inventou o Roadkill, sua inclusão foi apenas um dos pequenos toques que fizeram Comix Zone tão divertido e único de se jogar, assim como um testamento às mentes por trás do seu design.

Se Comix Zone é um triunfo de design de jogos, então, representa igualmente um mestre em programação. O codificador de Comix Zone foi Adrian Stephens. Recém chegado na STI, ele se tornou um bom amigo de Morawiec e até chegou a fundar um estúdio independente com ele em 1996. “Fui recrutado pelo STI para trabalhar em jogos de Saturn por causa da minha experiência com 3D”, explica Stephens. “Mas quando o Saturn foi adiado, precisei encontrar outro projeto para trabalhar no meio-tempo, e o Peter Morawiec tinha uma grande ideia para um jogo de Genesis que parecia um desafio interessante. Performei toda a programação do jogo e ferramentas e também fui o diretor da tecnologia envolvida. Fazer o jogo caber em 2MB, e descomprimir dinamicamente e inserir e retirar efeitos gráficos enquanto o jogo estava rodando era um grande desafio. Precisávamos conseguir avançar rápido através de uma página grande de gráficos que não apenas não caberia na VRAM de uma vez, mas também não caberia na RAM, então muito do poder de processamento foi empregado em rapidamente descomprimir dados ao fundo. Se você tentar descomprimir uma porção de imagens ROM de Genesis você vai descobrir que Comix Zone vai ser a que menos diminuirá. Isso é um testamento para o quão comprimido tudo já está. Realmente conseguimos enfiar muito naqueles 2MB. Eu também fiquei bastante satisfeito com os balões de fala. Consoles como o Genesis realmente não foram feitos com coisas como fontes proporcionais e gráficos gerados dinamicamente em mente, mas conseguimos fazer funcionar”.

O que também é impressionante sobre o uso de memória de Comix Zone, é o pouco usual número de sons que podem ser ouvidos. A música em si foi composta por Howard Drossin em um estilo apropriadamente grunge de rock, com guitarras pesadas e baterias no decorrer. Interessantemente, a trilha sonora foi retrabalhada para CD e regravada com instrumentos reais, com o próprio Drossin tocando a guitarra, e um amigo adicionando vocais às trilhas originais instrumentais. O CD foi dado de graça com a linha de produção original do jogo. E para aqueles que a ouviram, adicionou uma nova camada de profundidade ao jogo em si, como se ouvir a música do chip permitisse ao jogador formar uma trilha muito maior nas suas próprias cabeças baseando-se no CD que ouviram previamente É um fenômeno estranho peculiar à era 16-bits como algumas distribuidoras (principalmente a SquareSoft) ocasionalmente lançavam trilhas orquestradas de suas músicas de jogos, que muitas vezes tinham o efeito secundário de permitir ao jogador entender exatamente que tipo de som o compositor tinha originalmente em mente. Com a chegada do CD-ROM como uma mídia de jogos, entretanto, esse fenômeno rapidamente desapareceu, fazendo de Comix Zone um dos últimos de seu tipo.

Com uma excelente trilha sonora de rock, Comix Zone também puxou as capacidades sonoras do Mega Drive ao seu limite com uma série de vozes de personagens que foram verdadeiramente gravadas pelos desenvolvedores do jogo – Peter Morawiec fez a voz de Gravis, um dos vilões recorrentes do jogo. “Foi só um pouco de tolice no estúdio do Howard. Gravis era um robô, então eu queria uma voz sintética e metálica. Howard sempre me provocava sobre meu sotaque e queria imortalizar minha voz no jogo. Gravamos as frases, então aplicamos vários filtros para ter o efeito desejado. Não falo desse jeito, acredite em mim”.

Apesar das conquistas técnicas, entretanto, Comix Zone estava longe de ser um jogo perfeito. Claro, era totalmente original e inteligentemente construído, mas também era extremamente difícil. Muito poucos inimigos podem ser facilmente derrotados sem o Sketch tomar algum dano – uma situação feita muito pior pelo fato de que não há vidas extras e apenas um continue, que é conquistado uma vez na segunda fase e uma vez na terceira. “Eu queria que não tivéssemos aumentado a dificuldade de última hora, o que o tornou quase impossível de ser terminado, a pedido do departamento de testes”, diz Morawiec. Stephen adiciona: “Tínhamos um sistema inteligível e complicado de scripts de inteligência artificial que eu provavelmente faria diferente hoje em dia. Peter sempre quis mais controle sobre as coisas do que seria bom para ele. Geralmente, provavelmente seria bom manter as coisas mais simples e lançar o jogo mais cedo do que lançamos”.

Tendo gasto tanto tempo em desenvolvimento, o maior problema de Comix Zone foi que chegou às lojas tão tarde na vida do Mega Drive. O jogo chegou aos Estados Unidos no começo de 1995 mas não chegou a uma audiência global até outubro do mesmo ano. Nesse momento, o Playstation e o Saturn já tinham sido lançados mundialmente, fazendo muitos jogadores abandonarem os formatos velhos em favor dos novos e mais excitantes gráficos em três dimensões que esses novos consoles ofereciam. Nem preciso dizer, Comiz Zone não vendeu muito bem. “Foi uma pena”, diz Stephens. “Nosso timing foi definitivamente errado. Me lembro de perguntar ao Roger Hector se tinha pelo menos vendido o suficiente, e ele disse ‘Não!’ como se fosse uma pergunta idiota. Também afetou nossa habilidade de nos movermos para o desenvolvimento no Saturn, acho que nem a STI e nem o Saturn nunca se recuperaram disso. É claro, o Saturn teria sido um grande sucesso se tivéssemos lançado jogos para ele desde o começo”, ele adiciona humorado.

Como todos sabemos, as vendas costumam ser completamente divorciadas da qualidade de um jogo e no caso de Comix Zone elas são totalmente irrelevantes. Mais de uma década desde seu lançamento, o jogo ainda consegue ter um forte apelo e um grupo crescente de fãs da Sega estão descobrindo o jogo pela primeira vez. O cartucho original pode ser encontrado por aproximadamente £2 na maioria das lojas enquanto o jogo também costuma aparecer em coletâneas bem frequentemente. Yojiro Ogawa, do Sonic Team, é conhecido por ser um grande fã de Comix Zone e foi pessoalmente responsável por incluir o jogo como um bônus em Sonic Mega Collection. O jogo também apareceu no Sega Smash Pack, Mega Drive Collection e no Virtual Console do Wii, assim como ports para o Game Boy Advance e o PC, tornando-o um dos jogos mais relançados do Mega Drive.

Comix Zone nunca foi mais popular e está destinado a se tornar mais do que simplesmente um clássico cult, já que continua a receber o nível de exposição que tem tido nos últimos anos, um fato que não podia ser mais apreciado pelos desenvolvedores. “Acho que ainda é um dos meus melhores jogos e constantemente encontro pessoas que se lembram dele com carinho”, diz Morawiec. “Foi muito único e realmente tivemos sucesso, o que não era tão fácil no Genesis. Foi meu primeiro jogo original, que eu estava envolvido de A a Z, então foi muito emocionante para mim ver o produto final chegar às prateleiras”.

“Minhas crianças estavam interessadas em jogar ele algumas semanas atrás então baixamos um emulador e achei a ROM online”, revela Stephens. “É muito estranho ver algo que você criou a tanto tempo atrás sob circunstâncias tão diferentes. Achei que tudo parecia um pouco simples para eles, apenas 2D, então eles não conseguiam entender por que levou tanto tempo para fazer. E para ser honesto, nem eu, apesar de me lembrar de tudo parecer muito complexo e complicado à época. De qualquer maneira, inspirou meu filho a fazer uma animação dele mesmo sendo puxado para seus desenhos, então valeu a pena afinal”.

comixzoneprotoNossa história Comix Zone não acaba aqui, entretanto. Como o STI estava focado em desenvolver jogos baseados em personagens, o potencial para continuações sempre era considerado e Comix Zone não foi uma exceção. “Começamos a trabalhar em um jogo de Sonic no Saturn como nosso próximo projeto”, diz Morawiec, presumivelmente se referindo ao cancelado Sonic X-Treme. “Desenvolvi uma rápida apresentação para um Comix Zone em 3D durante meu tempo livre, incluindo um exemplo de storyboard, que mostrou como o personagem podia transicionar entre os painéis do gibi em uma implementação em 3D. Acho que me lembro que houveram inquéritos da Marvel e muito interesse do Japão em criar jogos licensiados de Comix Zone, mas nada nunca saiu disso pelo que eu sei”.


Excertos da Retro Gamer:

De Peter Morawiec: “Eu queria criar um jogo de ação beat ‘em up com um senso de aventura e como se pode ver no vídeo-conceito, enquanto o design de personagens mudou , a premissa original e mecânicas permaneceram intactos”.

Roger Hector, vice-presidente do STI na época, disse ainda: “amei o conceito básico de Comix Zone pela sua unicidade e estilo visual aguçado. Usar uma página de gibi dava uma organização natural para sugerir visualmente progresso e criar estratégia”.

Roger foi quem disse ao Stephens para olhar o projeto do Morawiec e, diz o Stephens: “Amei! Imediatamente me lembrei do vídeo musical de Take on Me do A-ha”. O próprio Peter disse que o vídeo foi um ‘forte ponto de referência’.

Sobre a parte técnica, Stephens disse: “A primeira coisa que fiz foi encontrar uma maneira de mudar gráficos para dentro e para fora da memória em tempo real, especulativamente descomprimindo partes no decorrer do processo. Isso foi importante para o estilo visual do jogo, que não se apoiava em repetição de tiles”. Não querendo ser limitado pela paleta de cores, o Adrian também criou um sistema de rapidamente trocar cores durante a sincronização horizontal, permitindo efeitos impressionantes como água ondulando. “Mas era difícil acertar o tempo para fazer ficar bonito”. Ele continua: “Na verdade, muito do nosso desenvolvimento técnico era sobre como fazer tudo caber em 16 megabits, então tudo era fortemente comprimido apesar da RAM limitada – 64k – significar que não havia muito que pudesse ser descomprimido de uma vez”.

O Peter Morawiec estava envolvido em tudo. “Sentia que era meu bebê e tentei contribuir o máximo possível: designs de personagens, layouts de fases, design de elementos de jogabilidade e até alguns scripts de IA. Inicialmente pensei em ter muito mais variedade dentro dos painéis do gibi, mas tivemos que diminuir essas ambições devido a limitações de memória. Como resultado, há um número de tiles se repetindo através de cada página.” Como fã das demos de Amiga, ele diz ainda: “Tentamos colocar o maior número de efeitos possíveis”. Ele ressalta a cena da escrita na logo inicial e o gráfico de página abrindo, notando que o “Adrian fez maravilhas para conseguir aquela página desenrolando”.

“Um grande problema surgiu tardiamente no desenvolvimento, quando o Adrian teve que se realocar para o sul da Califórnia e terminar o jogo longe do STI”, se lembra Roger Hector, “mas ele miraculosamente fez funcionar”. Sobre a razão da mudança, Adrian diz: “A razão não foi tão súbita, já que houve nove meses de aviso! Minha então namorada e agora esposa estava tendo nosso bebê e nossa relação de longa distância precisava se tornar um pouco mais próxima!”.

Comix Zone também sofreu com seu ciclo de desenvolvimento. No fim de 1992 o time conseguiu consentimento para o projeto, mas só foram começar o desenvolvimento depois de terminar o Sonic Spinball, no começo de 1994. Como se isso não fosse o bastante, quando o marketing e o controle de qualidade consideraram Comix Zone muito curto, o desenvolvimento foi para 1995 enquanto o time mexia no nível de dificuldade. “A dificuldade do jogo sempre foi um problema para mim”, reclama Peter, “enquanto muitos jogadores parecem amar esse aspecto do jogo, sempre achei que ele prevenia mais pessoas de experimentar ele completamente. Um recurso de salvamento teria ajudado, mas era considerado um luxo caro naquela época. Foi só um projeto longo e desafiador em termos de desenvolvimento”. Peter também se lembra de dificuldades em ordenar a história do jogo: “Me lembro de ficar perplexo enquanto o script prosseguia através das fases. Eu tinha todas as locações e elementos individuais na minha cabeça, mas tive dificuldades para conectar tudo. Tudo teve densidade de papel”, ele brinca, adicionando: “Em retrospecto provavelmente devíamos ter contratado um escritor para ajudar com os balões de falas pelo menos – mas não era a norma naquele tempo”.

Fontes: GamesTM
Retro Gamer 123

Entrevistas – Wolf Team 21 21America/Bahia setembro 21America/Bahia 2017

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Essas três entrevistas curtas com a Wolf Team, arranjadas cronologicamente de 1990 a 1991, oferem um olhar às preocupações de uma desenvolvedora 3rd party durante as terras incertas dos 16-bits.
Além de uma breve entrevista focando em Granada, é mais focado na “indústria”.
Essas entrevistas foram encontradas no GSLA, um site japonês que preserva entrevistas com desenvolvedores de jogos de agora defuntas fontes impressas. A GSLA costuma redatar as questões originais do entrevistador, então o texto lê mais como narrativa do que entrevista.

DESENVOLVIMENTO NO MEGADRIVE E NO X68000 – 1990

Decidimos adentrar no desenvolvimento para Mega Drive verão passado (1989). Tínhamos um interesse em sistemas de console como o Nintendinho, o PC Engine e outros, mas o Mega Drive tinha a maior quantidade de memória disponível, o que combinava bem com o estilo de nossos jogos. Pegar hardware limitado e fazer o melhor possível dentro dos limites não é nosso estilo de design de jogos; queremos fazer coisas que fazem os jogadores dizerem “uau”. Por isso, o tamanho da memória foi um fator decisivo.

Quando o Mega Drive saiu, não estavamos realmente pensando tão seriamente em desenvolver para ele. Mas o hardware e o design do controle mudaram um pouco, e ele tem a mesma CPU que o X68000, fazendo ports de arcade fáceis. Então achei que o futuro reservava coisas excitantes para nós e o Mega Drive.

A base de usuários do Nintendinho é principalmente de crianças abaixo da idade de colégio. Acho que o Mega Drive definitivamente tem apelo com um grupo mais velho, crianças colegiais e acima. Isso é apenas especulação no momento, entretanto, eu não tenho estatísticas detalhadas disso ainda.

Em cima Final Zone PC-88 Embaixo Final Zone Senki Axis (x68k)

Em cima Final Zone PC-88 Embaixo Final Zone

Nosso primeiro jogo de Mega Drive vai ser um port de Final Zone II, que estamos lançando também para PC Engine, mas a versão do Mega Drive vai ter um visual muito diferente e possivelmente outro título. Não parece nem um pouco com a versão PC-88. Mas para o seu tempo, as cores do Final Zone de PC-88 foram revolucionárias, e da mesma maneira, planejamos incorporar novas ideias revolucionárias na versão MD.

Como você sabe, o X68000 e o Mega Drive tem especificações similares, então é fácil portar do X68000 para o Mega Drive. Entretanto, isso significa que podemos portar do Mega Drive para o X68000 também. Ao invés de “port”, acho que é mais correto dizer que estamos criando um jogo de X68000 no estilo de um de Mega Drive e vice-versa.

Para jogos nós desenvoilvemos em disquete, comprimimos para caber em uma ROM de Mega Drive. Temos que fazer tudo parecer tão bom quanto possível dentro desse espaço limitado de memória, então gastamos muito tempo nesse aspecto em nossos jogos. Nosso grupo de desenvolvimento no Mega Drive atual consiste de 4-5 pessoas, mas até a primavera planejamos expandir para três grupos. No total temos aproximadamente 35 funcionários de desenvolvimento. Perto da metade vai acabar trabalhando no Mega Drive. Nós também queremos continuar fazendo jogos de PC. Esse ano queremos focar em criar jogos de simulação, certos de atrair jogadores adultos com 20, 30 anos.

Para os periféricos do Mega Drive, estamos interessados no drive de disquete já que queremos fazer jogos com mais memória. Não pensamos muito nos outros periféricos.

Sobre o Super Nintendo, a Nintendo nunca pediu nossa companhia para desenvolver para ele. (risos) Mas já que a maioria das pessoas tem 2 ou 3 consoles, não vemos isso como um problema tão grande. Da nossa perspectiva como desenvolvedores, o Mega Drive tem o mérito da facilidade se fazer ports para ele, e com o Mega Drive podemos atender mais prontamente às demandas de nossos fãs que querem jogar jogos dos fliperamas em casa.

Muitos dos jogos da Wolf Tem tem sido visualmente impressionantes. Temos muita confiança na nossa habilidade de fazer jogos divertidos com locações e mundos detalhados. Além disso, acho que recentemente atingimos um nível alto de qualidade substancial em nossos jogos também. Acho que estamos nos movendo na direção certa como uma companhia, e vamos continuar a mirar em fazer jogos que orgulhosamente mostram sua originalidade.

Namco's Assault (E) e Grobda (D), dois grandes influências em Granada

Namco’s Assault (E) e Grobda (D), duas grandes influências em Granada

GRANADA – ENTREVISTA COM DESENVOLVEDORES EM 1990

Kazuyoshi Inoue – Planejamento
Toshio Toyota – Programação Principal
Masahiro Akishino – Produtor
Masaaki Uno – Som

-Qual você diria que é o apelo de Granada?
Toyota: O que vende Granada? Eu diria que são todas as frentes: gráficos, som, e algoritmos de inimigos extensivos. Você pode pegar qualquer sprite grande de personagem de qualquer fase – revisamos eles de novo e de novo, só usando aqueles que finalmente nos satisfizeram.

-Quais são algumas das influências de Granada?
Inoue: O Toyota é, por natureza, um grande fã de jogos de arcado, então pode haver partes em Granada que inconscientemente refletem essa influência. Granada em si é (Assault + Grobda) ÷ 2, certo? (risos)

-Quanto tempo Granada levou para ser concluído e quais foram alguns dos desafios que vocês enfrentaram?
Toyota: Se você incluir o trabalho que fiz no meu próprio tempo livre, Granada levou aproximadamente dois anos. Comparado com minhas versões prévias, o produto final é uma ordem de magnitude mais polido.
Akishino: Até agora, a maneira que procedemos em nossa produção de jogos é primeiro criarmos uma história, e depois fazer a estrutura do jogo combinar. Graças a isso, nossos jogos sempre tinham seções mal balanceadas. Desta vez, com Granada, criamos a jogabilidade primeiro e fizemos a história depois. Talvez isso signifique que Granada tem uma história mais fraca que nossos jogos anteriores, mas na mesma medida, a ação tem importância muito maior.

-Entendo que Granada em sua totalidade usa MIDI.
Uno: Sim. Acerca dos recursos MIDI, tecnicamente é algo que tivemos em nossos jogos desde a versão PC-98 de Zan-kagerou no Toki – lançado ano passado, mas não era feito plenamente. Com Granada finalmente conseguimos uma implementação digna de MIDI. Não simplesmente usamos remendos Roland MT-32, mas verdadeiramente editamos eles para criar nossos próprios sons. Isso pode ser inédito nessa indústria. Além disso, se existe algum usuário por aí que quer que implementemos funcionalidades KORG M1 em Granada, queremos ouvir de vocês. Isso é algo que talvez possamos vender a nossos consumidores através do correio.

-Por favor nos diga o que o futuro reserva para a Wolf Team.
Akishino: Vamos colocar todo nosso esforço na própria jogabilidade, ao invés da história, para nossos futuros jogos. Apesar de ser um passo atrás em termos de história, vai ser dois passos a frente para a jogabilidade.

WOLF TEAM – ENTREVISTA COM DESENVOLVEDORES EM 1991

Masahiro Akino – Time de desenvolvedores #2, chefe de seção
Masaaki Uno – Time de desenvolvedores #2, assistente diretor de P&D

-Por favor nos fale do seu novo jogo, El Viento.
Uno: El Viento foi criado pela mesma equipe que fez Granada. Graças a eles conseguimos carregar a experiência técnica daquele jogo. As cenas em quadrinhos são outro recurso. Usar anime em nossos jogos tem sido nossa especialidade por algum tempo já.
Akishino: As explosões são realmente impressionantes e chamativas. Se você conseguir memorizar o tempo para desviar das balas, entretanto, não acho que será um jogo tão difícil.
Uno: El Viento tem uma mulher como protagonista, e o próximo jogo na série, Earnest Evans, vai ter um homem… para o terceiro jogo, estamos pensando que será uma história derivada, com um protagonista totalmente diferente?

-Quais são as vantagens de desenvolver para CD-ROM?
Akishino: Jogos em CD-ROM nos permitem realmente nos aprofundarmos na história e cenas. Previamente tínhamos uma memória limitada, mas agora podemos praticamente ignorar essas limitações, e toda uma nova variedade de estrutura de jogo está aberta a nós. É muito legal.

Uma cena em anime de El Viento
Uno: Um grande mérito dos CD-ROMs é que diminui o tempo de produção. Além disso, CD-ROMs são mais baratos se comparados a memória ROM, então o preço de venda de nossos jogos pode refletir o custo mais barato dos materiais. Com o jogo “Annette Evans” que estamos fazendo agora, incluir a funcionalidade de zoom nos sprites em ROM acabaria custando mais de 10000 ienes em venda. Conseguir lançar o mesmo jogo por 8000, 7000 ou 6000 ienes é uma das vantagens do formato CD, eu diria.
Akishino: Basicamente, daqui pra frente não mais faremos jogos baseados em ROM (cartuchos). Planejamos mudar totalmente para o CD-ROM. Estamos esperançosos que conseguiremos fazer muitas coisas no Sega-CDS que não pudemos fazer nos computadores.
Escalar sprites e dar zoom tem sido difícil, mesmo no Sega CD. Atualmente tivemos que adicionar suporte a isso no software, tem sido difícil. Se estivéssemos usando apenas uma CPU, isso é uma coisa, mas há dois CPUs 68000, e se você adicionar o z80 são 3. Porém há muito potencial aqui. Não pudemos realmente começar a usar funções de escala e zoom até nosso quarto jogo de Sega CD, Aisle Road.

-Quais são seus planos futuros?
Uno: Queremos atingir a mais ampla variedade de idades possível entre os usuários de Mega Drive. É difícil mirar em grupos de tenra idade.
Akishino: Nosso port de Mega Drive do shmup Sol-Feace deve ser igual senão exceder a versão X68000. Os sprites vão todos ficar um pouco maiores no Mega Drive. Acho que vão ficar bonitos. Esperançosamente poderemos também vender por um preço bem baixo.
Sobre Fhey Area, estamos trabalhando cuidadosamente nele. É um jogo com visão superior, mas sinto que o design de personagens ainda está um pouco fraco. Porém vai ser um jogo divertido.

Fonte: Shmuplations