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Retroescavadeira #7 – O Mega na Mídia 3 03America/Bahia outubro 03America/Bahia 2016

Posted by bluepasj in RETROESCAVADEIRA.
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Inspirado por uma matéria do site Game Pilgrimage.

egm-issue-001-062A EGM, antes do MD ser lançado, corretamente afirma em um preview que ele é o primeiro aparelho caseiro verdadeiramente 16-bit. Ao contrário do concorrente PC Engine, que já tinha sido lançado no Japão (o Snes ainda estava longe de surgir). A revista continua, elogiando a semelhança com os arcades da arquitetura do console, a capacidade de realizar escala e, o que hoje é irônico, as 256.000 cores que ele é capaz de produzir.

Na época (maio de 1989), a biblioteca era limitada, especialmente comparada com o PC Engine, que era um sucesso no Japão. É também mencionado que os primeiros jogos são bons, mas não realmente se aproveitam das capacidades do console (jogos como Altered Beast). É interessante notar que a possibilidade de expandir o MD com um drive de CD é levantada, algo que realmente viria a acontecer, para resultados mistos, com o Sega CD. gamepros-16-bit-video-gaming-february-1992-page-05

Em julho de 89 a EGM anuncia o nome americano do Mega Drive, Sega Genesis. A NEC estava lançando, também, para o concorrente PC Engine, um drive de CD, enquanto a Sega apostava em um modem. A título de curiosidade, havia um 16-bit que iria entrar na batalha, chamado Konix Slipstream, e a empresa o estava promovendo bastante, mas ele acabou cancelado. Continuando, a EGM elogia o formato do joystick do MD e o modem (sem saber que ele seria irrelevante).

Em prévia feita pela revista britânica Computer and Video Games, o dispositivo de CD-ROM (Sega CD) também é mencionado. O Reino Unido foi, assim como Brasil, um dos poucos lugares no mundo em que o console anterior da Sega, o Master System, fez sucesso. A revista elogia o joystick do Mega Drive por ser ergonômico (e, segundo ela, melhor do que costumam ser os joysticks japoneses). Ela então elogia também os gráficos, pelo alto número de parallax scrolling, ausência de flicker e prognóstico de coisas ainda mais impressionantes no futuro.

Em um preview da Game Players, é mencionada a diferença da voz dos consoles 8-bits para os 16-bits, usando como exemplo Space Harrier e Super Space Harrier. Também menciona o Motorola 68000, o processador do MD, que é encontrado em alguns dos computadores mais potentes da época. Novamente as cores são mencionadas como uma grande vantagem do console.

A Game Players, em edição de novembro de 89, dá destaque à diferença vista entre os primeiros jogos do MD e os dos sistemas 8-bits e , inclusive, diz que os gráficos dos jogos do MD superam os da maioria dos PCs da época. E então ela elogia os outros jogos de lançamento: Space Harrier 2, Tommy Lasorda Baseball, Thunder Force 2, Super Thunder Blade e Last Battle (Altered Beast teve análise na edição anterior). electronic_gaming_monthly_002_-_1989_jul_-037

Na GamePro número 2, são enfatizados som em estéreo, o adaptador para Master System e as capacidades gráficas. A Sega prometia na época não apenas muitos jogos, mas também jogos “nunca vistos antes em consoles caseiros”.

A EGM, em outra edição, mostra uma preocupação com a pouca quantidade de jogos que não são de ação no MD (apesar de preverem que mais jogos diversos virão). E em meio a um excesso de comparações ao Snes que não tinha sido lançado ainda, também comenta as impressionantes habilidades de escala e rotação do sistema e a técnica de parallax scrolling.

Em 1992, a GamePro’s 16-Bit, em uma análise sobre qual 16-bit comprar entre os 3 disponíveis, elogia o Sonic e os jogos licenciados (Ghostbusters, Castle of Illusion, Spiderman), os de esporte (NHL, Joe Montana), ação estilo arcade (Golden Axe, Streets of Rage) e o Toejam e Earl. Sobre a escolha de qual comprar, a revista meio que ignora o PC Engine, que só tem o preço como vantagem, e depois dá uma espécie de vitória ao Mega Drive por que ele tinha, naquela época, maior quantidade de jogos bons.

Em 92, também, a Mean Machines comparou os dois videogames (MD e SN). Ela fez uma comparação por gêneros de jogos. Nos jogos de plataforma o Snes tinha mais qualidade principalmente por causa de Mario 4, mas o MD tinha mais quantidade de bons jogos no gênero. Considerou que o Super Nintendo tinha os melhores shooters (apesar de elogiar bastante os do MD).  Mas nos esportes o Mega ganha de longe, em grande parte por causa da EA. Diz que o MD tem o melhor jogo de futebol americano de todos os tempos (até aquele momento) (John Madden 92), o melhor de hockey (EA Hockey) e o melhor de golf (PGA Tour Golf). Naquele momento o MD ganhava disparado nos beat ‘em ups, com o Snes tendo apenas o Final Fight sem modo de 2 players, sendo que o MD já tinha Streets of Rage. Entretanto, o prospecto da aparição de Street Fighter 2 no Snes ameaçava mudar isso. A vitória, por quantidade de games, foi do MD.


O GamePilgrimage exalta o fato de que ambas EGM e GamePro já estavam fazendo muita promoção ao Super Nintendo mesmo antes dele ser um protótipo, dando o mesmo destaque a ele que aos já existentes Mega Drive e PC Engine. Algo sem precedentes na mídia especializada. Como exemplo do favoritismo, há o editorial na edição 4 da EGM, em que o editor coloca em pauta as cartas que a revista recebia acusando-a de dar excessiva ênfase à Nintendo em detrimento da Sega. Os próprios leitores perceberam. A EGM também achou necessário utilizar, em duas edições, a frase “superior a tudo que veio antes” para se referir ao Snes, um console que nem existia ainda. E tudo que era necessário para fazer essa afirmação eram as especificações do mesmo. Inclusive o modo de resolução 512×448, em prática muito raramente utilizado, e as 256 cores tão raramente utilizadas quanto. Uma matéria de seis páginas na EGM afirmou ainda que o Snes era a Derradeira Máquina de 16-Bits, antes mesmo dele ter sido lançado no Japão. O Snes teve publicidade gratuita por dois anos antes de ser lançado.

Agora minha opinião. Fico surpreso com a mídia na época, por que pensava que era muito mais ingênua e, na verdade, eles sabiam do que falavam (ao contrário das revistas brasileiras de games, mas, também, as revistas internacionais tinham contato direto com devs e produtoras, ao contrário das BRs). Não havia tanta desinformação quanto eu pensava. Também é notável o crescente entendimento do público consumidor a respeito dos aspectos técnicos. Creio eu que em grande parte isso se deve ao modo como esses aparelhos foram vendidos, com o marketing enfatizando coisas como 16-bits e mode-7. Agora, houve realmente um favoritismo por parte das maiores revistas para com o Super Nintendo, principalmente por parte da EGM. Mas eu creio que seja fácil explicar isso. Primeiro que, com o crescimento da indústria de games veio um crescimento da mídia especializada. E, com isso, competição, o que fazia com as redações das revistas não abrissem mão de completude e exclusividade. Por isso, falar de um videogame que está a anos de ser lançado e que mal existe não é tão absurdo assim.Mas mesmo assim existem casos em que só isso não explica. Só acho que não era proposital. A Nintendo foi considerada a salvadora da indústria dos games depois do crash que ela sofreu, e sinônimo de games. Ela monopolizava completamente a indústria antes do Mega Drive. É incidental que tanto foco seja dado a ela. Claro, é inegável que isso deve ter prejudicado o Mega Drive (e o PC Engine), e favorecido a Nintendo.

Para complementar, essa imagem de umBuyer’s Guide (guia de compras) da EGM:

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Nela, o MD ganha notas 9 de todos na redação da revista pelos gráficos, quantidade de jogos e sonoridade. Além disso, foi considerado o “líder” do grupo.

Fontes:
GamePilgrimage;
EGM número 1;
EGM número 2;
GamePro’s 16-Bit Video Gaming de fevereiro de 1992;
GamePro número 2;
Game Player’s número 5;
EGM de junho de 1992;
Game Player’s número 2;
Mean Machines número 20.

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